sábado, 26 de dezembro de 2009

Bock III - O Desafio Supremo

Nada como começar uma postagem com um título de peso hein!
Como todos já devem ter acompanhado, há algum tempo que me dedico a fazer cervejas do estilo Bock e suas "variações", por ser um dos meus estilos favoritos.
Esses estudos e testes que fiz, me renderam o 3° lugar na categoria Traditional Bock no IV Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, ocorrido no Rio de Janeiro, no mês de outubro. Fiquei muito contente com a colocação, pois afinal de contas, eu fiz a minha Bock para o meu paladar e não especificamente para o concurso.

Mas voltando ao título do post, resolvi fazer uma (ou duas) Bock mais >Extrema< : uma DoppelBock e uma Eisbock. Sempre tive vontade de fazer uma DoppelBock (que em Alemão significa "Bock Dupla" por ser uma Bock com mais malte e álcool), mas por problemas de espaço (pois a fermentação é longa), ainda não tinha feito. Em uma visita ilustre na minha casa, estavam o grande Mestre-Cervejeiro Cláudio Zastrow e o nosso ilustríssimo cervejólogo (ou seria zitólogo?) e parceiro Feijão do portal Obiercevando conversando sobre os estilos que gostaríamos de fazer um dia. E o feijão falou de uma tal de Eisbock que eu realmente desconhecia. Aquilo acabou soando como desafio para mim e coloquei na minha lista de próximas bateladas. Agora todo ano eu e o Feijão brincamos: Qual o desafio para este ano? Bom, isto vai ter um post no ano que vem.

Então para fazer a leva, fiz a receita da DoppelBock e depois de fermentada partiria em duas.
Como minha leva é de 20 litros iria sobrar pouca cerveja para dividir. Por isso, peguei a panela emprestada do Max "Traíra" Prujanski que é um pouco maior e eu conseguiria fazer 30 litros. A quantidade de malte era tão grande que olha só como ficou a panela na brassagem.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Só para reforçar e variar, eu fiz decocção. Para as minhas cevejas, Bock sem decocção não é bock (hehehe). Mas eu ainda não expliquei o porque dos 30 litros. Na fermentação, que ocorreu em um pouco mais de 1 mês, o fermento trabalhou com os 30 litros juntos. E foi depois da fermentação que o processo diferencia: 15 litros vai para a maturação para virar uma DoppelBock e os outros 15 litros vai virar a tal de EisBock.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Mas o que é esta tal de EisBock? EisBock é basicamente uma DoppelBock que passa processo "ICE", ou seja, a cerveja é submetida a temperaturas negativas onde é retirado o gelo que fica na superfície, ficando mais concentrada (tanto o sabor quanto o álcool).
Com alguns problemas e muito trabalho, pois não tinha habilidade no processo de congelamento e retirada da cerveja, consegui finalizar os processos e engarrafei a DoppelBock e a EisBock sem refermentação na garrafa (usando o BeerGun. É, enfim consigo usar bem o bicho).

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A DoppelBock ficou com 9,2% ABV e de acordo com meus cálculos a Eisbock ficou com seus 10,5% ABV. O que posso falar das cervejas, é que ficaram realmente maravilhosas, pricipalmente a "Ice"! Consegui retirar em torno de 1,8 litros de gelo, ficando bem licorosa, alcoólica mas com ótimo "drinkability". O meu objetivo era atingir 11,5% ABV, mas creio que melhorando os meus processos eu chegarei lá.

Quem estiver em Floripa, me avise pois ainda tenho algumas unidades para degustar-mos, pois algumas vou guardar para acompanhar o envelhecimento.
E eu ainda fiz uma "Rauch-Bock" esses tempos. E com isso, termino a minha saga, com ótimas cervejas e aprimoramento dos meus processos.
Depois dessa "loucura" toda, achei legal o título do post!

domingo, 29 de novembro de 2009

As piscinas de cerveja da Cervejaria Starkenberger

Há alguns meses recebi um e-mail (mais uma vez, obrigado, Eliane!) com um link para uma reportagem “Spa oferece piscina de cerveja para hóspedes” da Globo.com, dentro do editorial “Planeta Bizarro”. Tratava-se, a princípio, de um spa que possuía piscinas de cervejas para fins terapêuticos. Perguntei-me: o que tem de bizarro nesta reportagem? De bizarro eu não sei, mas estranho é a reportagem nada mencionar sobre o nome do estabelecimento. Limita-se a dizer que é na Áustria. E após a leitura sobre o que descobri do lugar, pode-se perceber que não se trata de um spa, pelo menos dentro do meu conceito sobre o assunto...

A curiosidade sobre o lugar e qual cerveja estava na piscina, fez-me observar o nome “Starkenberger” na primeira foto que ilustra a reportagem (a mesma foto que ilustra esta postagem, logo abaixo), em duas malas atrás dos “hóspedes”. Tive que baixar a foto e dar um zoom para conseguir ler. Não foi muito fácil. Com a pista na mão, fui ao google em busca da informação. Acabei encontrando a postagem "Para bom bebedor" do blog Morfina que comenta sobre o assunto e que me levou ao site “Bierschwimmbad”, traduzindo, “piscina de cerveja”.





O site Bierschwimmbad traz informações sobre as piscinas (sete piscinas de 4 x 4 metros) e como fazer reservá-las, além de mostrar atrativos sobre o banho etílico. Eles oferecem dois pacotes aos visitantes: Beer pool: aluguel de uma piscina por 2 horas, por 135 euros, aonde cabem 4 pessoas; Beer pool plus: o mesmo Beer Pool, mais 4 euros por pessoa, o que dá direito a biscoitos de cerveja, patê de carne e uma garrafa da genuína cerveja Starkerberger.

Era o que eu queria, descobrir a origem da cerveja! E com confirmação do nome da cerveja, fui em busca da cervejaria.



Acabei descobrindo que a cerveja é produzida pela cervejaria de mesmo nome, ou seja, Starkenberger.

A cervejaria Starkenberg criou 2005 o conceito “Beermythos”, uma espécie de empreendimento turístico que combina um castelo medieval 700 anos com a moderna cervejaria Starkenberg. Para maiores informações acessar: A new theme world in Tyrol - the myth of the beer the Starkenberger castle.
A cervejaria está localizada na cidade de Tarrenz, no distrito de Imst, no estado do Tirol, no oeste da Áutria.


É no castelo Starkenberger que produzem a cerveja desde o início do século XIX. O castelo está aberto à visitação, para usufruto dos seus 4.000 metros quadrados.





Numa turnê pelo castelo, que promete um mergulho no mundo da cerveja, abordando fatos interessantes e os benefícios da bebida no corpo e na mente, além da apreciação arquitetônica medieval, os visitantes percorrem desde a torre até os porões e apreciam as etapas de produção da cerveja. O “Beermythos” está aberto de terça a domingo, inclusive feriados, para visitação, das 10:30 às 15:30 horas.





Acabei entendendo que as piscinas de cerveja fazem parte do “Beermythos”. Sendo um atrativo a mais para os visitantes.

Pode-se também alugar o “Hall The Knights”, traduzindo “salão dos cavaleiros” do castelo (ver figura abaixo) para a realização de eventos noturnos de até 120 pessoas. Eles também informam que podem preparar o ““Hall The Knights” sem as cadeiras, para que os convidados possam jantar no melhor estilo romano, ou seja, deitados sobre o chão.



Eles também alugam o "Beermythos" para eventos em geral: casamentos, aniversários, festas... A propriedade possui lago, capela... O preço do aluguel do castelo e de suas partes, não estão no site.






O site da cervejaria apresenta a história da cervejaria e os nove tipos de cerveja que fabrica: cervejas lager (claras, escura, com limão, sem álcool) e cervejas de trigo clara e escura. A cervejaria se orgulha por ser a cerveja mais premiada da Áustria, como pode-se ler na homepage da cervejaria: “Österreichs meist prämiertes Bier”.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja - Montada a partir das imagens disponíveis em: http://www.starkenberg.at/index.php?id=27
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domingo, 8 de novembro de 2009

Catarina Bier Festival 2009


Segue a dica: o evento de encerramento do calendário da AcervA Catarinense:

"Para encerrar o calendário de 2009 a Associação dos Cervejeiros Artesanais de Santa Catarina (ACervA Catarinense) promoverá o Catarina Bier Festival – Encontro de Cervejeiros Caseiros e Cervejarias Artesanais.

Aberto a todos os interessados, o festival contará com uma grande variedade de cervejas caseiras, especialmente produzidas pelos associados, além das cervejas das principais cervejarias artesanais da região. Tudo isso acompanhado de um delicioso almoço.

O festival acontecerá no dia 05 de dezembro das 10:00 às 17:00 horas no Figueira Restaurante & Choperia, localizado na Rua Mariana Bronnemann, nº 527, no bairro da Velha, em Blumenau – SC."

"As inscrições iniciam no dia 07/11/2009 e encerram no dia 25/11/2009. Vagas limitadas!"

As opções de incrição são as seguintes:

OPÇÃO 1 - Qualquer pessoa não associada da ACervA Catarinense e que NÃO disponibilizará ao menos 5 (cinco) litros de cerveja para degustação no evento.R$ 65,00 (sessenta e cinco reais);

OPÇÃO 2 - Cervejeiros caseiros que disponibilizarem ao menos 5 (cinco) litros de cerveja* ou para associados da ACervA Catarinense que NÃO disponibilizarem cerveja.R$ 55,00 (cinqüenta e cinco reais);

OPÇÃO 3 - Exclusivo para associados da ACervA Catarinense que disponibilizarem ao menos 5 (cinco) litros de cerveja* para degustação no evento.R$ 45,00 (quarenta e cinco reais).

"* Para garantir direito ao desconto, o cervejeiro deverá disponibilizar ao menos 5 (cinco) litros de cerveja caseira. Cilindros de post-mix, contendo ao menos 10 (dez) litros de cerveja caseira, darão direito a desconto para 2 (duas) inscrições. Caso algum problema impeça o cervejeiro caseiro de garantir a cerveja durante o credenciamento, o desconto concedido será cancelado, ficando o inscrito responsável pela diferença de valores."

Para maiores detalhes, informações e inscrições, favor acessar: http://www.acervacatarinense.com.br/
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sábado, 31 de outubro de 2009

A cerveja e o ambiente

O vídeo que ilustra esta postagem, mostra de forma caricata a paixão (ou o vício!!) por alguma coisa, no caso a cerveja. A "paixão" envolve totalmente o indivíduo, que focaliza todas as suas energias no "ente amado". O ambiente, o que está a sua volta, o que está acontecendo, pouco ou muito pouco importa.

O vídeo exagera na paixão e no foco do apaixonado, mas se filtrarmos a informação, veremos que muitas vezes, diariamente, fazemos que nem o câmera do vídeo: deixamos a onda nos levar... Que tenhamos "copos" e "salva-vidas" para todos!!


Obrigado pelo envio do vídeo, Eliane! Mas ainda não sei o porquê dos meus entes queridos me enviarem material sobre cerveja!! Por que será, hein?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Brownie (Pão, Bolos e Cia)


De vez em quando me aventuro pelo mundo dos doces... e aqui seguem os relatos da aventura.

A receita original “Brownies” é do blog Pão, Bolos e Cia, um blog de um inspirado português, que possui uma infinidade de receitas e dicas maravilhosas. E esta não é diferente! A receita original é a seguinte:

"INGREDIENTES
200g de manteiga quando
100g de chocolate de leite
100g de chocolate negro
200g de açúcar branco ou amarelo
100g de açúcar mascavado claro
100g de açúcar mascavado escuro
4 ovos
1 colher (chá) de extracto de baunilha
1 colher (café) de sal
1 colher (sopa) de cacau em pó
200g de farinha sem fermento
100g de nozes ou nozes pecãs grosseiramente partidas"

Lendo os ingredientes da receita original, podemos mentalizar cada um deles, fazendo uma tradução apressada para o português “brasileiro”.

Aparentemente, parece que todos os ingredientes são conhecidos... Mas existem detalhes que colocam à prova a tradução apressada.

Chocolates
Quando li os ingredientes “chocolate de leite” e “chocolate negro”, fiz a tradução apressada “chocolate ao leite” e “chocolate meio-amargo”, até porque nos dizeres da postagem do Pão, Bolos e Cia. há um comentário que fiz que a doçura da receita é quebrada pelo chocolate amargo e o cacau. Quanto ao “de leite”, “ao leite”, acertei; mas errei em relação ao “chocolate negro”.
A constatação ocorreu após buscas pela internet para decifrar os enigmas. Aprendi que em Portugal, os chocolates são classificados de forma diferente daqui. O site da Nestlé em Portugal, traz a classificação dos tipos de chocolate: de leite, preto, meio-amargo, branco... Por lá, o chocolate negro possui no mínimo 35% de cacau e o "de leite" 25% e adição de leite ou leite em pó.
Aprendi também que o chocolate meio-amargo é elaborado com cacau torrado, por isso o gosto amargo. Logo, concluimos que o chocolate negro ou preto não usa cacau torrado, mas somente cacau, e não leva leite.

Fiz uma busca ao supermercado e conformei o meu conhecimento: as barras de chocolate escuro mais populares, ou seja, as da Nestlé, Lacta, Garoto e Hershey´s ou são de chocolate ao leite, ou chocolate ao leite com algum outro ingrediente (exemplo: chocolate ao teite com castanhas de caju), ou são de chocolate meio-amargo. Todas os chocolates meio-amargo mais populares dos mesmos fabricantes não levam leite. Existem barras especiais, como a Hershey´s Special Dark, que são chocolate "negro", pois não levam leite e tem mais cacau. A legislação brasileira que trata do assunto é a RDC nº 227, de 28 de agosto de 2003, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Açúcar mascavo
Quando li “açúcar mascavado”, traduzi automaticamente “açúcar mascavo”. Estava certo?
A receita original ainda menciona “açúcar mascavado claro” e “açúcar mascavado escuro”.
E agora? Sabia que o açúcar mascavo pode ter tonalidades diferentes que dependem da matéria-prima (caldo de cana-de-açúcar) e do processo de fabricação: Por exemplo, quanto mais tempo de cozimento, mais escuro fica o açúcar. Mas daí, a ter certeza... E reiniciaram as minhas buscas pela internet e achei detalhes interessantes.
Acabei encontrando na postagem Açucar – mascavado ou refinado? do blog “História das palavras” de Inacio Steinhardt, que dá uma aula sobre o açúcar “mascavado”, explicando entre outras histórias que a origem da palavra está na junção das palavras “menos” e “cabar”. O verbo cabar, verbo não mais utilizado, que tem o significado semelhante a “prezar”. Logo, “menoscabado” é “menosprezado”. O mascavado é uma evolução de “menoscabado”, que se tornou “mascabado” e, finalmente, “mascavado”. Ufa!!
Tá?! E o “mascavo” do nosso (brasileiro) português?
Isso na internet eu não encontrei, mas recorri ao ilustre e amigo dicionário do Aurélio aqui de casa, aonde temos que mascavo e mascavado são sinônimos. Lá temos que “mascavo” é o particípio irregular de mascavar. Logo, usamos mais uma palavra irregular no nosso português. Mas, sinceramente, mascavo é bem mais simpático do que mascavado. Fico com o mascavo!!

Adaptação da receita original
Alterei pouco os ingredientes originais, substituindo a manteiga por margarina, utilizando chocolate meio amargo no lugar do chocolate negro, utilizei somente um tipo de açúcar mascavo (o que tinha em casa), não me preocupando com o “claro” e o “escuro”. Nas fotos que ilustram a postagem, temos a versão, aonde utilizei amendoins no lugar das nozes. Ambas ficam excelentes, mas eu prefiro a com nozes.

O modo de preparo também foi alterado, se compararmos as receitas (para que se interessar, sugiro dar uma olhadinha na receita original e no seu modo de preparo), como por exemplo, no tempo de cozimento, que depende de cada forno e do resultado que se deseja obter (queria a casca mais crocante).

Brownie
Segue a receita adaptada:

Ingredientes:
- 200g de margarina;
- 100g de chocolate ao leite (picados);
- 100g de chocolate meio-amargo (picados);
- 200g de açúcar;
- 200g de açúcar mascavo;
- 4 ovos;
- 1 colher de chá de extrato de baunilha;
- 1 colher de café de sal;
- 1 colher de sopa de cacau em pó;
- 200g de farinha de trigo;
- 100g de nozes picadas (ou 100g de amendoim torrados e descascados);
- margarina para untar levemente a forma.

Modo de preparo
- Derreter a margarina e os chocolates picados numa panela ou no micro-ondas;
- Colocar a margarina e os chocolates derretidos na batedeira;
- Acrescentar os acúcares, os ovos, a baunilha, o sal e o cacau e misturar;
- Adicionar a farinha de trigo aos poucos, homogeinizando a mistura;
- Acrescentar as nozes (ou os amendoins) por último;
- Untar levemente com margarina uma forma de 24 x 34 (cm) ;
- Assar a 180 graus por 35 minutos.

Observações
- Picar os chocolates não é tarefa fácil. É mais fácil derretê-los no micro-ondas;
- Pré-aquecer o forno por 15 minutos a 200 graus.

O brownie é simplesmente divino. O melhor brownie que já comi!
Fica aqui a sugestão!! Agradeço ao Pão, Bolos e Cia. por tornar pública tão ilustre receita.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bock II - a missão

Olá a todos. Depois de longas maturações e brigas com meu beergun, poderei falar sobre o resultado da(s) bock(s) (conforme eu havia prometido).
Aquela bock da postagem, a qual usei pela primeira vez a decocção, ficou realmente de acordo com as características que eu queria. A cor estava OK (fiquei com medo que estivesse ficado clara demais), o sabor e aroma também ficaram conforme o planejado.
O problema ficou por conta de um aroma frutado, de maçã verde. Poxa vida, tudo que eu não queria era um "frutado metido" em minhas lagers. Esse aroma vem de uma "fermentação fraca" e se chama acetaldeído.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Superado o trauma, fiz minha segunda bock com algumas pequenas alterações nas quantidades de malte (aumentei o malte melanoidina) e mantive o resto do processo.
Também tirei uma foto com a parcela de mosto normal e a parcela que foi feita a decocção.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Com todo o empenho que tive em fazer uma bock de meu agrado, posso dizer que o resultado valeu a pena, pois ficou dentro do eu esperava. Bom corpo/sabor de malte (e muitas melanoidinas hehe), um aroma espetacular e álcool na medida - 6,1% v/v.
Acabei fazendo a terceira versão desta bock que vai para o IV Concurso Nacional de Cervejeiros Artesanais - promovido este ano pela Acerva Carioca - com uma pequena alteração no amargor.
Fiz esta alteração depois que degustei 4 cervejas bock que estava em minhas mãos:

- Tonera Bock versão 2.11 (tampa com adesivo vermelho)
- Tonera Bock versão 2.5 (tampa com adesivo rocho/roxo)
- Panarotto/Alysson/Luciano Bock (tampa Cerveja Artesanal)
- Kaiser Bock

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A minha versão 2.11 estava com o tal do acetaldeído, mas de resto estava boa.
A minha versão 2.5 (tô chique com este negócio de versão) ficou dentro do que eu descrevi acima -> Do jeito que eu queria!
A Kaiser Bock se comportou bem, sendo fiel ao estilo. É uma ótima opção para quem quer beber uma cerveja de boa qualidade e preço barato.
A Panarotto/Alysson/Luciano Bock foi a mais potente. De acordo com eles, ela têm 6,5% v/v de álcool, mas bem equilibrada e dentro do estilo. Só para deixar registrado, eles também fizeram a decocção. E da-lhe pessoal viciado hein!

Com esta análise resolvi fazer uma pequenina alteração: aumentei um tiquinho o lúpulo de amargor para trazer um melhor equilíbrio para a cerveja.
Aí pirei. Fiz a versão 2.51a e 2.51b, com dois tipos de fermentos lager.
O resultado? Só perto do concurso, quando ficarem prontas...
E vocês acham que eu parei com esse negócio de bock? Esperem para ver!!!

PS: De acordo com nosso confrade Panarotto, fiz a correção no sobrenome dele que é com dois t´s e não com dois n´s. Outra correção foi a da graduação alcoólica da Barnabé Bock que é de aproximadamente 6,5% v/v e não 7,5% v/v como eu havia informado (mas parecia ter os 7,5%). Para maiores informações sobre a Barnabé Bock acessem http://srpivo.blogspot.com
Obrigado Ricardo!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pudim de Pão de Queijo


Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A receita original "pão de queijo com ricota" é da revista Receitas & Delícias, (Pão de Queijo. Receitas & Delícias. Alto Astral: São Paulo, 2008. Ano 9, n. 71), minha companheira na elaboração de pães de queijo, conforme sempre relato nas minhas aventuras na elaboração de pães de queijo. Entretanto, pelo sabor da experiência, pela falta de ingredientes, pela mudança no modo de preparo, geralmente as receitas originais são sempre alteradas.

Esta receita de pão de queijo é de liquidificador. Logo, não precisamos escaldar o polvilho, tarefa tradicional na elaboração de pães de queijo.

A receita original sugere que a massa seja colocada em forminhas de empada, deixando espaço para a massa crescer, porém não fiz assim. Utilizei uma forma de pão retangular de 11 x 28 cm, com 6,5 cm de altura.

O resultado? Um pudim de pão de queijo. O pudim não fica (pelo menos das vezes que fiz) com um aspecto perfeito, conforme relato nas observações abaixo, mas o sabor... o sabor deste pudim vale a empreitada. E é super fácil de fazer... a massa fica super macia com textura de pudim de leite ou caçarola italiana, porém, é claro, com sabor inenarrável de pão de queijo.
Segue a receita elaborada em gramas e em medidas caseiras aproximadas:


Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Pudim de pão de queijo

Ingredientes:
- 330 gramas de polvilho azedo [2 xícaras de chá (200 ml)];
- 150 gramas de ovos [3 ovos médios];
- 8 gramas de sal [1 colher de sopa de sobremesa (4 ml)];
- 400 gramas de leite [2 xícaras de chá (200 ml)];
- 100 gramas de ricota [1 xícara de chá (200 ml)];
- 50 gramas de queijo parmesão [1 pacote];
- 210 gramas de óleo de soja [1 xícara de chá (200 ml)];
- Óleo de soja para untar levemente a(s) forma(s);

Modo de preparo:
- Misturar todos os ingredientes no liquidificador;
- Untar levemente a(s) forma(s) com óleo de soja e despejar o conteúdo misturado no liquidificador. Usei uma forma retangular de 11 x 28 cm, com 6,5 cm de altura, conforme já relatado, mas o uso da quantidade de formas fica por conta do padeiro;
- Assar em forno pré-aquecido a 220 graus por quarenta minutos ou até ficar dourado.

Observações:
- Colocar preferencialmente os líquidos no liquidificador e incorporar aos poucos os sólidos (facilitando o trabalho de mexer a massa) para não queimar o aparelho;
- A massa por ser bem compacta, não permite que os gases formados na cocção escapem e partes do “pudim” levantam da forma. Não se assustem!!
- O “pudim” cresce bem no forno, porém quando retirado ele abate, resultando num pão que parece um pudim, ou seja, textura super macia;
- Mesmo no dia posterior (quando sobra) a textura do pudim continua a mesma, ou seja, excelente;
- Como controlar o pudim no forno? Ainda não consegui tal proeza. Já tentei colocá-lo numa forma com as laterais mais baixas para que o crescimento se dê em outros sentidos e não só de baixo para cima; já tentei assá-lo em outras temperaturas... mas ainda não consegui. Aceito sugestões!!
- Com essa massa também é possível fazer panquecas, as quais também já fiz, mas isso dá uma outra postagem!!

sábado, 1 de agosto de 2009

Workshop Produção de Cerveja Artesanal em Florianópolis

A Associação dos Cervejeiros Artesanais de SC (ACervA Catarinense) promove no próximo dia 15 de agosto, no Clube Barriga Verde dos Oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina, localizado no bairro de Canasvieiras, na minha bela cidade de Florianópolis, Santa Catarina, o Workshop Produção de Cerveja Artesanal.

A brassagem será realizada pelo ilustre companheiro deste blog, o cervejeiro Raphael Tonera, e estaremos lá para prestigiar e aprender.

O "Workshop Produção de Cerveja Artesanal, faz parte de um circuito regional iniciado em 2007 e trata-se de uma iniciativa da ACervA Catarinense, com o apoio de parceiros especiais como empresas do setor, cervejarias artesanais e algumas entidades locais, e tem por principal objetivo difundir e aprimorar o conhecimento das técnicas para a produção de cerveja artesanal no estado de Santa Catarina, além de contribuir ativamente para a divulgação e o fortalecimento da cultura cervejeira no Brasil" (http://www.acervacatarinense.com.br/).

Segue a programação do evento, conforme descrito no site da AcervA Catarinense:
"Programação para iniciantes:
-Recepção e credenciamento;
-Abertura oficial
-Lanche;
-Brassagem all grain com Raphael C. Tonera, cervejeiro artesanal premiado em primeiro lugar no III Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, na categoria Belgian Strong Ale (escola belga, BJCP 18);
-Brassagem a partir do extrato de malte líquido, com degustação de uma cerveja produzida antecipadamente, com esta mesma técnica;
-Palestra "O Mundo da Cerveja" com Eli Bernardino Coelho Júnior, o "famoso" Júnior da "Padoca", pioneiro na exploração das cervejas especial e sócio da Academia da Cerveja;
Almoço;
-"Fabricação de Cerveja" com Claudio Roberto Zastrow, mestre-cervejeiro da microcervejaria Schornstein de Pomerode;
-Lanche;
-Encerramento".

"Programação para cervejeiros experientes:
-Recepção e credenciamento;
-Abertura oficial;
-Lanche;
-Palestra "Desenhando Cervejas Excelentes" com Paulo Schiaveto, Engenheiro de Produção pela USP e mestre-cervejeiro, formado em Louvain-la-Neuve, Bélgica, com larga experiência no ramo no Brasil;
-Almoço;
-Troca de experiências e networking;
-Lanche;
-Encerramento".

Atenção: As inscrições estão abertas até 10/08/2009. E aceitem um conselho: agilizem-se! No último workshop realizado em Joinville as inscrições superaram as expectativas e foram encerradas antes do término da data estipulada.

Maiores informações e inscrições, acessar: http://www.acervacatarinense.com.br/ .
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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Tonera Tripel Aged

Uma vontade que sempre tive, era a de guardar cervejas para acompanhar sua evolução. Como a produção sempre é menor do que o consumo, isto sempre se torna difícil. Mas desde o ano passado, tenho tentado guardar exemplares na minha adega (vulgo guarda-roupa), para futuras degustações e eis que hoje falarei sobre a Tonera Tripel que foi engarrafada em junho de 2008 e conseguiu ficar "viva" (ou ainda cheia) até hoje.

A Tonera Tripel foi chamada assim porque usei três tipos de cereais na sua composição. O malte de cevada, o malte de trigo e a aveia. Como queria fazer uma cerveja bem complexa, ainda usei coentro (sementes) e dois tipos de fermento.
Pela minha ficha de controle a data de produção da receita foi em 02/05/2008 e engarrafada dia 20/06/2008 o que comprova a sua idade.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Na primeira vez que abri uma garrafa desta produção, percebi que ela mereceria um bom descanço. Após este repouso, ela começou a se revelar. Apesar de ter aproximadamente 10% v/v de álcool, ele não se sobressaiu em nenhuma das etapas da evolução, pelo contrário, sempre trouxe um "complemento" a complexidade da cerveja.

No aroma, o frutado/fenólico foi diminuindo com o tempo, passando a ficar mais suave e casando com os outros elementos. O coentro que já era sutil, ficou quase imperceptível. Mas o que me chamou atenção foi o "cheiro de envelhecida" que a cerveja obteve. Não sei se teria permissão para dizer que é algo como vinho do Porto ou Whisky, afinal isto é subjetivo mesmo né!

O sabor que antes tinha notas pronunciadas de nozes (ou castanha ou amêndoas), também ficou mais ameno, mas não menos agradável. Da mesma forma que no aroma, as "coisas se casaram".

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A degustação ocorreu a temperatura ambiente, por se tratar de uma cerveja estilo belga, Tripel e bem complexa. Por isso eu não poderia deixar essa onda de frio passar batida e aproveitar um dos melhores dias para prová-la (de 10°C a 12°C).
Fiz o rótulo só para poder saber o tempo de vida da cerveja, nada sério (apenas um aviso aos colecionadores maníacos de plantão, hehe).

Tenho mais três exemplares desta cerveja que serão abertas com 2, 3 e 5 anos. Aí veremos outros aspectos da evolução desta Tripel. Além dela, tenho outros estilos guardados na adega (guarda-roupa) para umas futuras degustações. Não convidei o Jean para esta degustação porque ele ficou com uma destas na casa dele esses dias (Lembra Jean, aquela da tampinha com adesivo branco e uma bolinha azul de caneta).

Fico devendo a postagem que falarei sobre o resultado da bock, além da produção da Imperial Stout na Schornstein e a quinta bica na Academia da Cerveja. E tem cervejeiros novos por aí também. Até mais...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Erdinger Weißbier Dunkel

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Apesar de degustá-la de vez em quando, nunca escrevi sobre a cerveja Erdinger Weißbier Dunkel. Trata-se de uma cerveja de trigo escura, muito saborosa, pelo menos na minha opinião.
A Erdinger Dunkel foi a segunda cerveja “especial” que bebi, lá por 2006, 2007. A primeira “especial” foi uma Erdinger Weißbier, uma cerveja de trigo clara. Ambas, naquela época, ganhei de presente junto com este copo da Erdinger que aparece nas fotos, o primeiro copo da minha coleção. Muitíssimo obrigado, Eliane!!


Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A Erdinger Dunkel é uma cerveja preta com espuma de boa formação de média/baixa duração, com sabor de malte, de banana, de cravo, torrado, picante... com aroma frutado, de cravo, adocicado... É uma cerveja não filtrada, ou seja, ainda existe fermento dentro da garrafa, que proporciona uma aparência turva ao produto, não muito visível, pois a cerveja é bem escura. Pode-se notar, pedaços da levedura flutuando pelo precioso líquido! Esta é uma característica comum das cervejas de trigo não filtradas.

A degustação das duas cervejas Erdinger há alguns anos atrás, abriram-me os olhos para o mundo cervejeiro. Eu que gostava de Bohemia, Kaiser Summer Draft... descobri que conhecia somente a pontinha de um imenso iceberg que é o mundo cervejeiro. Depois, foram descobertas atrás de descobertas. O bolso sofreu (e ainda sofre), pois o preço pago pelas cervejas “especiais” ainda não são populares, mas, qualitativamente, a relação custo/benefício vale o investimento de cada centavo.
As cervejas Erdinger são produzidas pela Erdinger Weißbräu (traduzindo, Cervejaria de Trigo Erdinger), fundada de 1886, na cidade de Erdinger, na região da Bavária, na Alemanha. Segundo o Deutsche Welle, em postagem de 21/06/2005, a Erdinger era a cerveja de trigo alemã mais vendida no mundo.

A seção nostalgia bateu após ler a excelente postagem "A cerveja do dia-a-dia" do ilustre Rodrigo Campos do blog Paraquevocerveja, que relata da cerveja para o dia-a-dia e da sua iniciação no mundo cervejeiro, com a qual me identifiquei em gênero, número e grau.

Erdinger Weißbier Dunkel

Família: Ale
Estilo: Dunkelweizen “15B” (segundo BJCP)
Sabores: malte, banana, cravo, açúcar, torrado, picante
Aromas: Frutado, adocicado, cravo
Espuma: média/baixa duração, de boa formação
Teor alcólico: 5,6 %

Outros links interessantes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Erdinger
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1619519,00.html
http://www.erdinger.de/en.html
http://paraquevocerveja.blogspot.com/
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