segunda-feira, 30 de março de 2009

Cerveja Bock

Apesar de ser cervejeiro caseiro a bastante tempo, ainda admiro muito as cervejas maltadas. Digo isto porque muitos dos cervejeiros que conheço são "lupulomaníacos". É claro que gosto de cervejas bem lupuladas, mas nada como um bom equilíbrio.

E um dos estilos que gosto muito é o Bock.
"A cerveja Bock é originária da cidade de Einbeck(...). Recriada em Munich a partir do século 17. O nome Bock vem da corrupção de "Einbeck" no dialeto bávaro e foi usado somente depois que a cerveja veio para Munich"
(Retirado de - http://www.bjcp.org/2008styles/style05.php - Tradução livre dos autores).

Ainda vale comentar que Bock em alemão significa bode, o que justifica a presença do animal em muito rótulos.
De acordo com a BJCP (www.bjcp.org) o estilo ainda é subdividido em quatro sub-estilos:

5A - Maibock/Helles Bock
5B - Traditional Bock
5C - Doppelbock
5D - Eisbock

Aquele sabor de uma bock vem de um processo chamado de decocção, onde se retira parte do malte+mosto da brassagem, ferve durante algum tempo e retorna-o à brassagem. Pode ser feito uma, duas ou três vezes chamando-se respectivamente de decocção simples, dupla ou tripla. Isto se fazia antigamente por conta da má qualidade dos maltes, conseguindo uma eficiência maior na brassagem.

No processo de decocção, ocorre com mais intensidade a
reação de Maillard do que na fervura, formando as melanoidinas responsáveis pelo sabor de cerveja bock.
"A reação de Maillard é uma reação química entre um aminoácido ou proteína e um carbohidrato reduzido, obtendo-se produtos que dão sabor, odor e cor aos alimentos. O aspecto dourado dos alimentos após assado é o resultado desta reação de Maillard.(...)Dependendo dos tipos de proteínas e açúcares que compõem o alimento, o processo produz resultados diferentes quanto ao aspecto, cor e sabor. Estas características são diferentes entre um bolo assado e um frango assado, por exemplo.(...)A reação que ocorre no processo de Maillard é diferente do processo de tostamento e caramelização. No tostamento ocorre uma reação de pirólise do carboidrato (desidratação térmica) e na caramelização ocorre uma desidratação, condensação e polimerização do carboidrato. Em nenhum dos dois casos ocorre o envolvimento das proteínas." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Reação_de_Maillard).
Não sou conhecedor do assunto (reação de Maillard) e portanto não posso comentá-lo a fundo.

Todas as minhas tentativas foram tentando chegar a uma Traditional Bock e contarei um breve histórico das minhas produções:

1ª produção: Ficou muito boa, pena que não era nem de longe uma bock. Acabou sendo minha primeira versão da Oktoberfestbier.

2ª produção: Percebi na primeira leva que tinha que colocar mais malte Melanoidina. Como o próprio nome do malte sugere, gostaria de ter mais sabor das melanoidinas e por isso coloquei em torno de 22% do total de grãos em peso, sendo que o máximo recomendado era de 20%.
Outra vez ficou uma bela cerveja, mesmo com seus 7% de álcool. Mas ainda não tinha chegado aonde queria.

E agora descreverei a última leva de bock até então, usando o método da DECOCÇÃO.
Pela foto abaixo podemos observar que é mais complicado fazer pela maior "demanda" de espaço e equipamentos.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Meu objetivo foi fazer uma decocção dupla para ver se consigo ter o sabor que desejo.
Basicamente fiz a primeira e a segunda rampa de temperatura de brassagem que uso (45°C e 55°C). A idéia era retirar parte do mosto+malte em 55°C, ferve-lo e recoloca-lo na panela de brassagem, ajudando a aumentar a temperatura para a próxima etapa e fazer novamente no próximo degrau de temperatura.
Pela falta de experiência com este método, acabei fazendo as duas decocções meio que atravessadas do que o programado, mas correu tudo certo conforme desejado. E por falar em decocção, eu não acreditei no cheiro e na cor que a parcela retirada malte+mosto tinha. Um cheiro caramelado/maltado fantástico e a coloração digna de uma bock. Provei o mosto que estava muito bom também (só vou poder mostrar a cor, mas infelizmento o mais gostoso foi o cheiro/sabor).

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

O resto dos processos foram os habituais (filtragem, fervura...).
Chegando no final coloquei para fermentar o mosto e foi quando retirei uma amosta para observar a cor: infelizmente não obtive o resultado desejado!

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Depois de fermentado tive uma confirmação da constatação acima. A cerveja ficou com 6% de álcool em volume e bom conjunto. Não poderei comentar mais sobre ela porque ainda está carbonatando e não a coloquei em garrafas. Tudo bem, no minímo ficará uma boa Helles bock, tentarei na próxima vez.

domingo, 29 de março de 2009

Eisenbahn Lust

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A princípio, o preço pode ser um impecílio para quem pretende degustar uma Eisenbanh Lust: a de 750 ml, custa aproximadamente R$ 60,00; a de 375 ml, R$ 35,00. Além do preço, ficam aquelas dúvidas: essa cerveja elaborada pelo mesmo método de fabricação de champagnes é realmente saborosa? Será que não tem gosto "daqueles" espumantes que encontramos por aí? Será que quem gosta de cerveja, gosta de cerveja fabricada como champagne? Tem gosto de quê?
Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

Pasmem!! Todas as minhas dúvidas foram sanadas quando abrimos a garrafa da Eisenbahn Lust: que aroma fantástico... E o melhor ainda estava por vir: que sabor indescritível... doce, abacaxi, super refrescante... E a sensação... aroma, sabor, cor, as borbulhas no copo... não tem preço (parafraseando o comercial da Mastercard).
Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

A Eisenbahn Lust vale cada centavo. E esse será um problema, pois é difícil não querer novamente provar esta preciosidade. Só não digo que vale mais do que pagamos, pois alguém da Eisenbahn pode ler e querer aumentar o preço...
A espuma desta cerveja é, sem outros sinônimos, espetacular... densa, super duradoura... As borbulhas de gás carbônico (perlage) são tão intensas que empurram literalmente a espuma para fora do copo... Parecia um vulcão em erupção. Nota 10 (como diz a galerinha aqui de casa!!)!
A Eisenbahn Lust é engarrafada em garrafa de vinho espumante e possui embalagem elegante, com direito a rolha e etecéteras.

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja

No site da cerveja - sim, a Eisenbahn Lust tem o seu próprio site Eisenbanh Lust - pode-se conhecer mais sobre o seu processo de fabricação e como melhor realizar a degustação. No site encontramos os dizeres "A sensação de degustá-la é indescritível", e felizmente, pelo menos na minha impressão pessoal, o apelo de marketing é realmente verdadeiro.

Existem poucas cervejarias no mundo que comercializam cervejas elaboradas pelo método champenoise. No Brasil, a única é a Eisenbahn. Segue alguns links destas cervejarias:

- Eisenbahn: duas cervejas: Lust e Lust Prestige;
- Bosteels Brewery : uma cerveja: Deus;
- Malheur: três cervejas: Dark Brut, Bière Brut e a Cuvée Royale.

Eisenbahn Lust
Família: Ale
Estilo: Bière de Champagne / Bière Brut (segundo Beer Advocate)
Sabor: Abacaxi, malte, álcool, açúcar
Aroma: Frutado, álcool, adocicado
Espuma: densa, super duradoura, potente
Teor alcólico: 11,5 %
Outros links interessantes:

quinta-feira, 26 de março de 2009

Por um Brasil Cervejeiro Melhor

Prezados leitores do Pão e Cerveja, segue publicação da Carta Aberta "Por um Brasil Cervejeiro Melhor", elaborada por Marco Falcone, sócio e cervejeiro da Falke Bier, micro cervejaria mineira, postada no blog Cultura Cervejeira, em 23/03/2009, cujo teor em muito interessa aos amantes da boa cerveja. A intenção é de divulgar assunto pertinente ao fomento e à sobrevivência das micro cervejarias brasileiras.

Por um Brasil Cervejeiro Melhor (por Marco Falcone)

Amigos,

Venho falar a todos vocês sobre um tema de alta relevância. Peço que leiam com atenção pois isto é a sobrevivência ou a morte da cultura cervejeira no Brasil.

Depois de décadas de impedimento, de obscuridade e de privação com relação à livre escolha com relação às cervejas especiais (chamo estas décadas de "os anos de chumbo da cerveja"), como todos vocês já sabem, surgiu no Brasil, como na Europa e América do Norte há poucos anos esta magnífica e exuberante revolução das cervejas artesanais. Não perderei tempo com este histórico pois já é de conhecimento de todos.

Particularmente, nós da Falke Bier entramos de cabeça, largamos tudo, nos dedicamos ao máximo não só em prol de nossa cervejaria, mas também em prol da cultura cervejeira no Brasil. Fizemos em Minas um movimento pesado, organizamos o setor de cervejas no Sindbebidas e ajudamos a criar no SEBRAE uma pasta específica para o setor das micro cervejarias englobando também as cervejas caseiras. Abrimos nossa cervejaria à todos que quizessem conhecer, acompanhar o processo. Arrebatamos dezenas e dezenas de novos aficcionados.

Em termos nacionais, incentivamos a formação de várias Acervas, apoiamos e patrocinamos todos os Concursos Nacionais, desde o primeiro no Rio de Janeiro, em 2006, quando enviamos um barril de Red Baron. Temos contribuido de forma aberta com vários foruns, inclusive no Orkut.

Incentivamos e trouxemos de volta para o movimento figuras como o Mestre Paulo Schiaveto, que hoje é grande referência não só no Brasil, como no mundo. Isto, para não citar outras ações, como cursos, palestras, harmonizações dirigidas, que devem estar na memória da maioria de vocês.

Ousamos formulando receitas especiais, lançamos o primeiro chopp comercial com o malte torrado na própria fábrica. Formulamos a primeira cerveja Tripel comercial fabricada no país. Partimos para outros estilos, investimos pesado em uma IPA também objetivando dar acesso a todos a esta diversidade de estilo, isto tudo, apesar dos abusivos impostos que éramos obrigados a arcar, com se fôssemos grandes cervejarias, ficando claro a injustiça com relação ao poder contributivo, para empresas de tão pequeno porte.

Isto também ocorreu com as demais micro cervejarias do Brasil, cientes da necessidade da expansão da cultura cervejeira no país. Quem não sabe das investidas fantásticas da Colorado, ousando incrivelmente, da Bamberg com sua diversificada carta, da Backer, da Krug (Austria), da Wäls com fantásticas cervejas, da Dado, Schmitt, da Abadessa, a Coruja, nem vou me extender para não cometer a injustiça do esquecimento, mesmo sabendo que já estou incorrendo nesta falha.

Também obtiveram crescimento outros atores da cadeia produtiva, como os fornecedores de matéria prima, de equipamentos, consultores como a fantástica Cilene Saorim entre outros (olha eu novamente cometendo injustiça por ouvidar nomes), publicações diversas, bares e restaurantes especializados em gastronomia, sobretudo os de cervejas especiais, delikatessens, supermercados gourmet, fornecedores de acessórios, etc.

Fantástico o momento, não? Não. O Governo federal resolveu acabar com isto tudo. Promulgou, a partir de 1o. de janeiro deste ano uma lei, injusta e confiscadora que promoverá a curto prazo a inviabilidade de nossa atividade no Brasil. Mata os fabricantes existentes e aborta os fetos que são os homebrewers. Sobrarão alguns poucos na informalidade.

Na verdade, atendendo a interesse de que nem sei de quem, foi criada uma pauta para os tributos federais (PIS, COFINS e IPI - Leis 11.727 e 11.827) que oneraram inacreditavelmente todos os micro cervejeiros no país. Isto em um momento de crise, em que inclusive, alguns setores da economia tem sido contemplados com isenção de IPI.

Para tentar reverter esta situação, reunimos algumas micro cervejarias, no mês de dezembro passado (2008), em São Paulo, mas ainda nos encontrávamos nocauteados, não obtivemos um norte naquela reunião.

Progredindo na tentativa de reação, cada micro cervejaria passou a pesquisar, consultar suas bases jurídicas e tributárias e debater via e-mail uma solução. Com a recente consolidação da ASCASC - Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina, dotada de uma excelente organização e com um significativo número de integrantes, e ainda, da proximidade com o Rio Grande do Sul, outro estado que envolve um grande número de micros (25, segundo o Gustavo da Schmitt), além da proximidade do Sudeste, realizamos ontem, dia 20 de março, uma reunião que pode ser o marco de uma reviravolta desta derrama que o governo está promovendo em nosso setor.

Com presença das Micro Cervejarias Schornstein (SC), Zenh Bier (SC), Saint Bier (SC), Euro Bier (RS), Cervejaria da Ilha (SC), Schmitt Bier (RS), Ralf Bier (RS), Wäls Bier (MG), Krug Bier (MG), Colorado (SP), Fake Bier (MG), Opa Bier (SC), Borck (SC), Bier Land (SC), Das Bier (SC), Sud Brau (RS), além dos Advogados Jorge Glitzer, presidente da Acerva Gaúcha e do José Cândido Borba, Advogado Tributarista, também distribuidor de cervejas especiais, residente em Florianópolis.

Nosso propósito é nos municiar de todos e quaisquer argumentos, de toda e qualquer prova da inviabilidade que nos impingiram, formulando, além de planilhas abertas para cada micro cervejaria, para cada Estado uma documentação comprobatória da situação.

Temos a favor - O que ocorrerá com o setor se obtiver tratamento tributário justo:

- Maior número de micro cervejarias, com a adesão de um grande número de empresas atraídas pela viabilidade do empreendimento;
- Maior número de empregos/litros de cerveja, e também relativo aos empregos indiretos;
- Valorização da mão-de-obra local com especialização;
- Diminuição da informalidade no setor;
- Incremento no setor gastronômico, com novas oportunidades para bares e restaurantes;
- Aumento de produção e consequentemente vendas, nas empresas já estabelecidas;
- Ampliação da oferta de estilos, consolidando o país como uma nova escola cervejeira;
- Maior oferta aos amantes, apreciadores e degustadores, que passarão a consumir o produto nacional em detrimento das importadas;
- Possibilidades de exportação, ampliando as fronteiras do país;
- Beneficiamento signigicativo do turismo em todos os Estados contemplados;
- Resgate histórico e cultural de uma cultura milenar que está enraigada no brasileiro;
- Estímulo ao consumo responsável, já que cerveja artesanal se consome em menores volumes.
- Benefícios à saude, já que são bebidas ricas em complexos vitamínicos e não utilizam conservantes e produtos químicos lesivos;
- Embora o álcool em quantidades elevadas possa ser nocivo, no caso das cervejas artesanais o estímulo é pelo consumo reduzido;
- Aumento na arrecadação de impostos.

Contra - O que ocorrerá com a manutenção do novo regime tributário:

- Retração de novos empreendedores;
- Aumento da informalidade;
- Privação dos amantes,degustadores e apreciadores em geral das novas e excelentes cervejas, obrigando-os ao velho cartel;
- Retração em toda a escala produtiva, inibindo aumento nos empreendimentos;
- Estancamento desta nova atividade cultural, histórica e turística;
- Prejuízo para todos, inclusive para o poder público.

Consideramos ainda que a perda arrecadatória com o atendimento a nosso pleito é insignificante à Receita, somos apenas 0,18% da tributação nacional, e que os ganhos com a adesão de novos empreendedores superam significativamente.

Fundamentada a idéia, gostaria de solicitar a colaboração de todos da cadeia produtiva. Em breve estaremos lançandos acões, manifestos, abaixo-assinados, até participação em passeatas, tudo que possa mostrar a força de nosso movimento.

Na reunião do dia 20, formamos algumas comissões para transformar em números e planilhas o que foi aqui exposto. Estamos com nova reunião marcada, para consolidar isto tudo no dia 24 dia abril, em Florianópolis, na FIESC, mesmo lugar.

Solicitamos a todos sugestões, contribuições com análises ponderadas, vislumbramento de canais que viabilizem nosso pleito.

Vamos à luta, amantes da boa cerveja. Divulguem à todos de boa razão.

Um abraço, e "Pão e Cerveja!"

Marco FalconeMicro Cervejaria Falke Bier(31)8483.9046 Fax (31)3624.8439
visite nosso site: www.falkebier.com.br

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pão de Queijo (por Michelle)

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

Recebi de presente da ilustre Michelle, alguns espécimes panificáveis, elaborados com a receita Pão de Queijo com Queijo Prato e Parmesão postada no Pão e Cerveja em 27/12/2008.

Os pãezinhos, além de muito bonitos, estavam muito saborosos e foram dizimados praticamente na mesma hora em que chegaram pela galerinha aqui de casa, sobrevivendo somente durante a seção de fotografias.

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

Parabéns, Michelle, e muito obrigado pelo belo presente. PS.: Não lhe disse que era fácil?

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Gräbenwasser MalzBrot (Pão de Malte)


Quando li a postagem do Gräbenwasser MalzBrot no blog da Gräbenwasser, logo pensei: essa receita tem tudo a ver com o Pão e Cerveja. O pão de malte (em alemão, MalzBrot) em questão, utiliza o bagaço do malte utilizado na fabricação de cerveja como matéria-prima.

Desta forma, o malte que não possui mais utilizade para a fabricação da cerveje é reaproveitado, tornando-se matéria-prima nobre para a elaboração de pães.

Para quem não conhece, a Gräbenwasser é uma cervejaria artesanal da cidade de Joinville, Santa Catarina, Brasil, cujos mestres-cervejeiros, Ivan Guilherme Steinbach e Diogo Züge, também são exímios padeiros.


A Gräbenwasser sagrou-se campeã do II Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn no final do ano passado, cujos participantes tinham que elaborar cervejas do estilo ROBUST PORTER.
As "Robust Porters são cervejas de coloração preta e tem um sabor de malte torrado, mas não de cevada torrada. Estas Porters têm um amargor claro de malte torrado sem ter um alto caráter de queimado. Robust Porters variam de corpo médio a bem encorpadas e tem um adocicado de malte. Amargor varia de médio a alto, com aroma e sabor de lúpulo variando de baixo a médio. Diacetil é aceitável em níveis bem baixos. Ésteres frutados devem estar presentes, equilibrados com as notas de malte torrado e o amargor proveniente do lúpulo" (Eisenbahn, 2008) .

Segue a receita do Gräbenwasser MalzBrot (Pão de Malte), para maiores informações, favor visitar a excelente postagem no blog da Gräbenwasser:

Gräbenwasser MalzBrot (Pão de Malte da Gräbenwasser)

Receita:
- 300 gramas de malte de cevada moído (bagaço);
- 800 gramas de farinha de trigo;
- 4 colheres (sopa) de mel;
- 1 sachê (ou 1 colher sopa rasa) de fermento biológico seco;
- 1 colher rasa (sopa) de sal;
- 350 ml de leite;
- 1 colher (sopa) de banha (ou margarina).
Modo de preparo e dicas:
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Calzone Integral 2/5

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

O calzone é um produto típico da região centro-sul italiana. Na Itália, também é denominado panzerotto ou panzarotto. O calzone pode ser frito ou assado. Aqui no brasil, até aonde conheço, os calzones são sempre assados. O calzone é originário da região da Apúlia (Puglia, em italiano) e elaborado com a mesma massa da pizza. Seu formato é o de uma pizza dobrada ao meio (formato de meia-lua) e com as bordas seladas, o que facilitam o consumo de forma manual.

REGIÃO DA APÚLIA - ITÁLIA

Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/87/ItalyPuglia.png

Dizem que o calzone originou-se do fechamento de uma pizza, com o intuito de facilitar o seu consumo. Dizem que tal idéia surgiu de um homem que gostava muito de jogar baralho e de comer pizza, porém não gostava de parar os seus jogos para comer. Logo, da necessidade, surgiu uma pizza fechada, própria para consumir com uma das mãos, já que na outra, o dito homem, segurava as suas cartas. Transcrevi este parágrafo baseado nos resquícios existentes na minha memória de um encarte do Minikalzone (rede de fast food, originária de Florianópolis e espalhada pelo Brasil), o qual li faz tempos.

Nos países de língua espanhola, existem a empanada. Produto similar ao calzone, porém de origem árabe, proveniente da época do domínio árabe na península ibérica na idade média. E agora? Quem veio primeiro: o calzone ou a empanada? Aceito sugestões...

Há tempos faço calzones em casa e sempre com a mesma receita. Tinha na dispensa, um pouco de farinha de trigo integral e tentei inovar substituindo 2/5 (duas xícaras de chá) da farinha de trigo da receita por farinha de trigo integral. Ficou muito bom, mas para os não fãs de produtos integrais, que podem achar a massa um pouco "amarga", sugiro utilizar somente 1/5 (uma xícara de chá).

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

Os recheios podem ser os mais diversos, dependendo somente do gosto do freguês. Aqui em casa nunca pode faltar o "quatro queijos" (requeijão, provolone, mussarela, parmesão e orégano). As quantidades que coloco de cada ingrediente são determinadas na hora e impiricamente, geralmente dividindo o volume do recheio igualmente entre o requeijão, a mussarela e o provolone. O parmesão e o orégano são colocados como complemento, algumas pitadas, só para dar um "gostinho". Também fiz recheio "calabresa" (mussarela, requeijão, calabresa, parmesão e orégano) e " brócolis" (mussarela, requeijão, brócolis e tomate, parmesão e orégano). No caso destes recheios, uso geralmente a mesma proporção, 1/3 para cada recheio que considero essencial e o restante como "complemento". Logo, nos três recheios, o dito complemento foram o parmesão e o orégano, da qual utilizei algumas pitadas em cada calzone.


Calzone Integral Dois Quintos


Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

A receita original é antiga e denomina-se Minicalzone, tenho-a impressa datada de 20/08/2002, cuja fonte era a Revista Água, apud Terra "http://portal.terra.com.br/culinaria/receita...", porém o link não é mais válido. Procurando pela internet, há receitas de calzone muito semelhantes a esta do Terra/Revista Água, porém não sei qual delas é realmente a mais antiga e quem é a fonte de quem. Este é um dos problemas da internet, a falta da fonte da informação, além da apropriação indevida de autorias.

Da receita original, modifiquei o modo de preparo, a quantidade de fermento, o tempo de crescimento da massa e não utilizei gema para pincelar, transformando-a na "minha receita" de calzone, a qual nesta postagem teve sua farinha de trigo parcialmente substituída por farinha de trigo integral na proporção de 2/5. Segue a receita de Calzone Intergral 2/5:

Massa:
- 3 xícaras de chá de farinha de trigo (Obs.: 1 xícara de chá = 240 ml);
- 2 xícaras de chá de farinha de trigo integral;
- 10 gramas (um envelope) de fermento biológico seco instantâneo;
- 1 colher de sopa de açúcar;
- 1 colher de sobremesa de sal (ou sal a gosto);
- 1 xícara de chá de leite morno;
- 1 ovo;
- 10 colheres de sopa de óleo de soja;
- Oléo de soja para untar a(s) forma(s);
- Água, se necessário, caso a massa fique muito dura.


Modo de preparo:
- Misturar numa vasilha: as farinhas, o fermento, o açúcar e o sal. Obs.: Não colocar o fermento em contato direto com o sal;
- Adicionar o leite e o ovo à mistura e incorporá-los;
- Por último, adicionar o óleo e incorporá-lo à mistura. Obs.: Caso a massa fique um pouco dura ou seca, acrescentar uma pequena quantidade de água e incorpore-a à mistura;
- Sovar a massa, até obter o desenvolvimento do glúten;
- Moldar a massa em forma de bola;
- Tampar a vasilha e deixar a massa crescer até dobrar de volume;
- Após o crescimento, cortar um pedaço e esticá-lo com a ajuda de um rolo sobre uma mesa; Obs.: O tamanho e a espessura da massa também ficam a gosto do freguês. Fiz os calzones com cerca de 18 cm de diâmetro e expessura de 3 mm;
- Com o auxílio de uma vasilha plástica ou de vidro circular, com o diâmetro escolhido, marcar o tamanho do "disco". Corte-o com uma faca ou com outro objeto cortante. Vá juntando as sobras do corte, para reaproveitá-las no final para elaborar outro(s) calzones;
- Dividir, mentalmente, o disco na horizontal (criando hemisférios norte e sul) e colocar o recheio sobre a metade superior (hemisfério norte), evitando deixá-lo sobre as bordas, pois dificultará o fechamento do calzone. Obs.: Quando colocado muita quantidade de recheio é difícil ou impossível fechar o calzone;
- Dobrar a metade inferior do disco (hemisfério sul) sem recheio sobre a metade com recheio, sobrepondo as bordas. No final deste processo, o calzone estará "de costas", ou seja, com a dobra do disco voltada para o padeiro;
- Fechamento do calzone, tipo "BELISCÃO". Com o dedos indicador e polegar (o indicador por baixo e o polegar por cima) juntar as duas bordas do disco sobrepostas na extremidade (ponta) do calzone à direita (como sou destro, para mim assim é mais fácil) e torcer, realizando um movimento de rotação dos dedos, de forma que o indicador fique por cima e o polegar por baixo, terminado por apertar firmemente as duas bordas sobre a massa. Executar diversas torções lado a lado, até a outra extremidade do calzone, fechando toda a sua abertura. Simplificando: é como se déssemos "beliscões", daqueles torcidos, nas duas bordas em toda a sua extensão, costurando a "boca" do calzone. O resultado do fechamento é uma borda com pequenas ondulações;
- Colocar o calzone fechado em forma previamente untada com óleo de soja;
- Utilizar toda a massa, elaborando diversos calzones, não se esquecendo de amassar as sobras dos cortes e reaproveitá-las para fazer outro(s) calzone(s);
- Assar em forno pré-aquecido, a 200 graus por aproximadamente 40 minutos ou até ficar dourado/cozido. Obs.: Devido à farinha de trigo integral, por ser escura, é mais difícil observar se os calzones estão dourados/cozidos.

O resultado foi muito interessante. O pessoal aqui de casa adorou. Lembro que pode ser utilizado menos farinha integral, o que garantirá uma massa mais branquinha e com menos amargor. Para quem gosta de produtos integrais, o produto está perfeito, é possível até aumentar a quantidade de farinha de trigo integral. Com esta massa elaborei 17 calzones com 18 cm de diâmetro.

Mais informações sobre calzone ou empanada, favor acessar os links abaixo:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Calzone;
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Calzone;
- http://it.wikipedia.org/wiki/Panzerotto;
- http://es.wikipedia.org/wiki/Empanada;
- http://en.wikipedia.org/wiki/Empanada.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Cerveja Licher Weizen - Presentes de Natal - Parte 1

Imagem: Dos autores do blog <http://www.paoecerveja.blogspot.com/>


Ganhei, coincidentemente, de presente de Natal, dois conjuntos de cerveja Licher Weizen. Como o prório nome da cerveja informa, trata-se de cerveja de trigo (weizen é "trigo" em alemão). E no rótulo ainda está escrito em inglês: "wheat beer", ou seja, cerveja de trigo. A imagem da espiga de trigo no rótulo também já diz tudo, né?


Imagem: Dos autores do blog <http://www.paoecerveja.blogspot.com/>

O conjunto composto de duas cerveja Licher de 500 ml, dois copos de 500 ml e duas bolachas, ganhei da Michelle.
O outro conjunto, composto de uma cerveja Licher de 500 ml, um copo Licher, ganhei do Nezi.

Prezados amigos, agradeço pelos GRANDIOSÍSSIMOS presentes!!

Imagem: Dos autores do blog <http://www.paoecerveja.blogspot.com/>


A Licher Weizen é fabricada pela Cervejaria Licher, na cidade de Lich na Alemanha. Licher significa "de Lich", "natural de Lich", ou seja, traduzindo para o popular "Lichersense" ou seria outro adjetivo? As cervejas Licher são importadas pela importadora Stuttgart, sediada na cidade de Blumenau, Santa Catarina.

Imagem: Dos autores do blog <http://www.paoecerveja.blogspot.com/>

A Licher Weizen obedece a lei de pureza alemã de 1516 ("Deutsches Reinheitsgebot") e possui teor alccólico de 5,4%. Segundo os critérios da BJCP, a Licher Weizen é considerada uma Weizen/Weissbier (BJCP 15A). É uma cerveja não filtrada ("Hefe"), ou seja, o fermento está dentro da garrafa, o que caracteriza turbibez na cerveja quando colocada no copo.

As impressões sobre a degustação serão assuntos de uma nova e futura postagem.

Maiores informações sobre a Licher Weizen: Cervejaria Licher; Cerveja Licher Weizen.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Pão de Queijo com e sem Presunto Defumado


Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>
Quem não gosta de pão de queijo? Com certeza deve haver alguém que não goste, mas não é o caso do pessoal aqui de casa.
O título desta portagem refere-se a dois tipos de pães de queijo que elaborei com a mesma massa: um com e ou outro sem o ingrediente "presunto defumado". A imagem acima mostra o pão de queijo sem o presunto e a imagem abaixo com o referido ingrediente.

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>


A receita original, "pão de queijo com calabresa", é da revista Receitas & Delícias, (Pão de Queijo. Receitas & Delícias. Alto Astral: São Paulo, 2008. Ano 9, n. 71), minha companheira na elaboração de pães de queijo. Entretanto, pelo sabor da experiência ou pela falta de ingredientes, geralmente as receitas originais são alteradas. Segue a receita elaborada:

Pão de queijo com e sem presunto defumado

Ingredientes:
- 500 gramas de polvilho doce;
- 1/2 xícara de chá de óleo de soja;
- 1/2 xícara de chá de óleo de água;
- 1/2 xícara de chá de óleo de leite;
- 1 colher de sopa de sal;
- 2 ovos;
- 300 gramas de ricota ralada;
- 1 pacote de 50 gramas de queijo parmesão ralado;
- 200 gramas de presunto defumado cortado em cubinhos (esta proporção para 2/3 da massa, visto que com o 1/3 restante elaborei pães sem o presunto);
- Óleo de soja para untar levemente as mãos e forma(s);

Modo de preparo:
- Coloque o polvilho numa vasilha e reserve;
- Numa panela, mexa até ferver, o óleo, a água, o leite e o sal;
- Despeje a mistura fervente sobre o polvilho, escaldando-o, misturando até homogeinizar a massa;
- Incorpore à massa os ovos;
- Incorpore a ricota e o parmesão (até aqui a receita é a mesma para ambos os pães);
- Incorpore o presunto defumado (relembrando: usei 2/3 da massa para elaborar os pães com presunto);
- Unte as mãos com óleo de soja e modele os pães em forma de bolinhas;
- Coloque os pães na(s) forma(s) previamente untada(s) com óleo;
- Asse em forno preaquecido a 180 graus por quarenta minutos, ou até ficar dourado.

Observações:
- A massa é bem firme, não é necessário quase nehum óleo para modelar as bolinhas;
- É possível fazer "palitinhos" com esta massa, devido a sua consistência... mas isso dá outra história;
- O presunto foi "expulso" de dentro dos pãezinhos... muito interessante... alguns pedaços de presunto foram expelidos pelos pães... não sei explicar o fenômeno;
- Aviso: Os pães ficaram com muito sabor de "presunto defumado", o que acaba mascarando o sabor do pão de queijo. Sugiro, quem sabe, diminuir a quantidade do ingrediente para 100 gramas, para obter um pão com sabor mais suave... para que gosta de defumados, o pãozinho é um prato cheio. A dica é saboreá-lo com uma cerveja do tipo Rauchbier (cerveja defumada);
- Fiz os pãezinhos sem o presunto defumado, pois tem gente pequena aqui em casa que não gosta e também queria ver o resultado sem o ingrediente.

Os pães ficaram muito saborosos. A massa consistente, com pouca gordura (óleo e ovos) se comparada às outras receitas que estão postadas aqui no Pão e Cerveja, originou um pão firme,"massudo", resumindo, excelente.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Panetone

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

O panetone é um produto panificável típico do Natal. Tem como características: forma cilíndrica com uma abóboda na parte superior; ingredientes: uvas passas, frutas cristalizadas e essência típica (baunilha e frutas cítricas). O panetone geralmente é elaborado com fermentação natural, ou seja, fermentação provocada por fungos e/ou bactérias que existem naturalmente na farinha de trigo, não adicionando fermento "pronto". Uma variação do panetone é o chocotone, aonde substitui-se as frutas e as passas por gotas de chocolate (conforme a imagem abaixo).

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

O panetone (em italiano, panettone) é originário de Milão na Itália. Milão é uma cidade, capital da província de Milão, na Região da Lombardia, norte da Itália.

Região da Lombardia e suas províncias: Milão (Milan) em verde escuro

Na Itália, a denominação "panettone" é definida pelo Decreto do "Ministero delle Attività Produttive" 22 luglio 2005.

Não se sabe ao certo, quem elaborou o primeiro panetone, mas há diversas lendas que tentam explicar o ocorrido:

1) O amor escondido de Ugo e Adalgisa
Uma lenda conta que a origem do panetone foi o amor, às escondidas, dos jovens Ughetto degli Antellari e Adalgisa. Ughetto, ou simplesmente Ugo, era tratador de falcões da corte de Ludovico Sforza (*1452;+ 1508), o Mouro, e apaixonou-se pela filha do padeiro, que se chamava Toni. A família de Ugo era contra o romance, pois a família da moça não tinha posses. O trabalho de Adalgisa na padaria aumentava devido à doença de seu pai e os negócios da família não iam bem. Não querendo ver a sua amada sofrer, Ugo conseguiu ser contratado como aprendiz na padaria. Porém, mesmo com o seu esforço, não conseguia melhorar os lucros. Ugo então resolveu roubar e vender alguns falcões de Ludovico, com o intuito de comprar manteiga para elaborar os pães. Com a nova receita, os clientes retornaram à padaria. O novo pão da padaria do Toni foi um sucesso. Dizem ainda, que na época do natal, Ugo acrescentou uvas passas e outras frutas secas à receita original, características do pão que conhecemos atualmente. O termo panetone deriva de "pão do Toni". Os negócios de Toni prosperaram, fazendo-o enriquecer. Desta forma, a família de Ugo não se opôs à união dos dois e, desta forma, Ugo e Adalgisa puderam ser felizes para sempre.

2) Sobremesa surpresa
Esta lenda também está relacionada com a corte de Ludovico Sforza, o Mouro. Diz a lenda que num banquete de Natal, após serem servidos todos os pratos aos convidados na corte, todos esperavam pela sobremesa: um bolo preparado pelo próprio chefe, receita passada de pai para filho, e que era apreciada por Ludovico. Entretanto, diante do árduo trabalho na cozinha, o precioso bolo foi esquecido no forno e acabou queimado. Desesperado, diante da repercusão que isso causaria e do temor por ter cometido a falha, o chefe começou a chorar. Toni, um humilde lavador de pratos, aproximou-se do chefe e disse que havia guardado para si um pouco da massa do bolo queimado, a qual tinha sido autorizado a acrescentar um pouco de passas, frutas, ovos e açúcar, a qual pretendia assar após o trabalho para ter algo para jantar. Perguntou se o chefe, desejaria oferecer o pão aos convidados do banquete. Desesperado e tomado por um impulso, o chefe colocou o pão no forno. Apesar da aparência simples e sem nada a perder, o chefe serviu-o aos convidados. O pão do Toni foi um sucesso, tanto que o chefe teve que repetir a receita nos banquetes de Natais dos anos seguintes e, consequentemente, essa prática passou a fazer parte do costume do povo.
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3) A irmã Ughetta, a cozinheira do convento
Outra lenda conta que o panetone foi elaborado pela irmã Ughetta, a cozinheira de um pobre convento de Milão, que juntou os poucos ingredientes que possuia, elaborando uma mistura de açúcar, ovos e uvas passas, para dar um Natal mais feliz às suas irmãs. O sucesso da receita logo espalhou-se pela cidade. As pessoas começaram a fazer doações ao convento para levar um pouco do pão para as suas casas.

4) O pão grande
O historiador Ludovico Antonio Muratori (*1672; +1750) diz que a origem do panetone é um pão grande ("pane grande"). Pão preparado na época do Natal e consumido num ritual, o qual consistia na reunião familiar em torno do fogo. Bebia-se vinho e pão era cortado em forma de cruz e também consumido por todos. Parte do pão era guardada para ser consumida no próximo Natal, caso o pão estraguasse significaria que o ano não seria bom. Este pão era chamado de "pan del ton", que significava "pão de luxo".

Além das padarias, os panetones também são fabricados por indústrias alimentícias na época do Natal. A reportagem "Do fermento à embalagem, panetone leva até 2 dias para ficar pronto; saiba como é feito" de Ludmilla Balduino, apresenta passo a passo a fabricação industrial do panetone e possui diversas fotos do processo: com certeza merece ser visitada pelos fãs mais interessador ou curiosos do pãozinho .

Panetone

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>

A receita utilizada foi retirada do site da Fleischmann, com as seguintes modificações nos ingredientes:
-20 gramas do instantâneo seco (2 envelopes) ao invés de 60 gramas de fermento biológico fresco;
- 200 gramas de banha de porco ao invés de 200 gramas de manteiga sem sal;
- 100 gramas, e não 250, de frutas cristalizadas e 100 gramas de uvas passas e não 150: a intenção foi dividar a massa e produzir chocotone;
- 200 gramas de gotas de chocolate;
- inseri um colher de sopa de essência de panetone.

Ingredientes:
- 6 e 1/2 xícaras de chá de farinha de trigo;
- 2 envelopes de fermento biológico instantâneo seco;
- 1 e 1/2 xícara de chá de açúcar;
- 1/2 xícara de chá de leite morno;
- 200 gramas de banha de porco;
- 1 colher de café de sal;
- 4 ovos;
- 1 xícara de chá de água morna;
- 200 gramas de uvas passas;
- 200 gramas de frutas cristalizadas;
- 1 colher de sopa de essência de panetone.

Modo de preparo:
- Bater na batedeira o açúcar, os ovos e a banha, obtendo um creme. Reserve-o;
- Numa vasilha misturar o fermento, a farinha de trigo e o sal. Obs.: Não colocar em contato direto o sal e o fermento;
- Acrescentar à mistura: o creme, a água, o leite e a essência;
- Misture até incorporar todos os ingredientes. A massa é mole e pegajosa. Obs.: como pretendia fazer panetone e chocotone, dividi neste momento a massa em duas partes: uma para incorporar as frutas e as passas e a outra para incorporar as gotas de chocolate;
- Misture as frutas cristalizadas e as passas (ou as gotas de chocolate) e misture para incorporação das frutas (ou as gotas) à massa;
- Dividir a massa e colocar em formas de papel especiais para panetone. Obs: Na minha experiência, a massa não atingiu a metade da forma, porém mais de 1/3 desta;
- Deixar crescer por 4 horas, até as massas chegarem próximas às bordas das formas;
- Assar em forno a 200 graus por aproximadamente 40 minutos ou até dourar.

Observações:
- Fiz com esta receita 2 panetones em formas de 500 gramas e quatro em formas de 250 gramas (metade panetone e metade chocotone);
- Os panetones com frutas não cresceram muito no forno, ficando com quase o mesmo tamanho de antes do cozimento e não ficando com o formato de abóbada. Creio que se deva colocar mais massa em cada forma para garantir a abóbada;
- Os panetones com as gotas de chocolate demoraram mais a crescer e cresceram menos do que os com as frutas, faltando quase um terço para chegar na borda das formas, porém cresceram mais durante o cozimento e acabaram ficando com tamanhos parecidos.

O resultado é excelente, porém não dá para comparar com a textura dos panetones industrializados que usam aditivos à massa, além de usar fermentação natural. Comemos alguns aqui em casa e distribuimos a maioria... Já repeti a receita mais duas vezes, alterando algumas "coisinhas", mas o resultado sempre foi muito bom... mas isso dá outra história.

Seguem os links para os sites que ajudaram substancialmente na elaboração desta postagem:
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Cervejas Amsterdam

Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>


Degustei, ao longo de novembro e dezembro de 2008 (não sei precisar as datas), três cervejas holandesas Amsterdam, produzida pela Royal Grolsch Brewery, na cidade de Enschede, Holanda. Estas são cervejas do estilo "Malt liquor" (licor de malte), classificada pela BJCP como cervejas especiais (BJCP: 23. Specialty Beer).


Os três tipos que degustei foram:
  • Amsterdam Explorator, com 6,8 % de álcool;
  • Amsterdam Navigator , com 8,4 % de álcool;
  • Amsterdam Maximator, com 11,6 % de álcool.




A que mais me agradou foi a Explorator, por parecer uma cerveja pilsen "brasileira": cor dourada, espuma com boa durabilidade.


Imagem: <http://hummcerveja.blogspot.com/2008/04/amsterdam-navigator.html>

Na Navigator, apesar desta possuir bastante sabor de álcool e açúcar, é possivel sentir algum sabor de malte. Não a achei saborosa. Na verdade, achei-a ruim: muito alcóol e açúcar: cor dourada, com boa espuma.

Imagem: <http://hummcerveja.blogspot.com/2008/07/amsterdam-maximator.html>

A Maximator tem ainda mais sabor de álcool e açúcar, não dá pra sentir outro sabor: cor âmbar com boa espuma. Não consegui terminar com os 500 ml da latinha. Cometei com alguns colegas, que a Maximator parecia Martini Rosso, só que com muito mais álcool...

As latinhas são bem bonitas, charmosas, são douradas nas extremidades... as cervejas com boa espuma, mas o sabor é que não me agrada... Descobri que não sou fã do estilo!!

Estava com dúvida em publicar ou não esta postagem, pois é um pouco chato fazer comentários desagradáveis, ainda mais quando o assunto é cerveja.
Entretanto, antes do Natal, estava num supermercado da grande Florianópolis, namorando as cervejas no estande, quanto percebi ao meu lado, um freguês com duas Navigator (8,4 %) no colo. Ele ainda revirava as cervejas Navigator da prateleira, buscando ver algo escondido... Primeiro pensei que ele estava de olho na validade dos produtos e que buscava as com maior validade...


Eu me contive para não dizer a minha opinião sobre a Navigator... Para quem me conhece, sabe que é difícil não falar o que penso no mesmo instante. Porém, com muito esforço (muito esforço mesmo), nada falei.

De repente, o freguês, creio que meio encabulado por estar revirando a prateleira (ele já havia manipulado todas as Amsterdam da prateleira), comenta que aquela era uma das melhores cervejas que ele já havia tomado e que estava em busca da melhor Amsterdam que conhecia(adivinhem qual?) , a Maximator.

Levei um susto e fiquei aliviado. Lhe disse, então, que estava me segurando para não comentar a minha experiência frustada com as Amsterdam, pois não havia gostado dos produtos.


Ficamos conversando e ele em nada concordou com as minhas opiniões. Terminamos a conversa com duas certezas:
  • Gosto é gosto, é algo particular e não se discute;
  • A opinião alheia pode ser uma barreira a novas experiências, ceifando previamente qualquer possibilidade de experimentação.
Escrevendo sobre esta postagem, pesquisei no google algo sobre cervejas Amsterdam. Encontrei a opinião do blog Hummcerveja sobre a Maximator, que não é nada diferente da minha, e sobre a Navigator e sobre a Explorator. Também encontrei a opinião do blog Doctor Beer, que é mais sutil e a classifica a Maximator como enjoativa.

Mais detalhes sobre esta postagem, favor consultar os links abaixo:
Bem, viva a diferença!! Experimentem as Amsterdam e tirem as suas próprias conclusões... Comentário são e serão bem-vindos.
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