quinta-feira, 23 de julho de 2009
Tonera Tripel Aged
A Tonera Tripel foi chamada assim porque usei três tipos de cereais na sua composição. O malte de cevada, o malte de trigo e a aveia. Como queria fazer uma cerveja bem complexa, ainda usei coentro (sementes) e dois tipos de fermento.
Pela minha ficha de controle a data de produção da receita foi em 02/05/2008 e engarrafada dia 20/06/2008 o que comprova a sua idade.
Na primeira vez que abri uma garrafa desta produção, percebi que ela mereceria um bom descanço. Após este repouso, ela começou a se revelar. Apesar de ter aproximadamente 10% v/v de álcool, ele não se sobressaiu em nenhuma das etapas da evolução, pelo contrário, sempre trouxe um "complemento" a complexidade da cerveja.
No aroma, o frutado/fenólico foi diminuindo com o tempo, passando a ficar mais suave e casando com os outros elementos. O coentro que já era sutil, ficou quase imperceptível. Mas o que me chamou atenção foi o "cheiro de envelhecida" que a cerveja obteve. Não sei se teria permissão para dizer que é algo como vinho do Porto ou Whisky, afinal isto é subjetivo mesmo né!
O sabor que antes tinha notas pronunciadas de nozes (ou castanha ou amêndoas), também ficou mais ameno, mas não menos agradável. Da mesma forma que no aroma, as "coisas se casaram".
A degustação ocorreu a temperatura ambiente, por se tratar de uma cerveja estilo belga, Tripel e bem complexa. Por isso eu não poderia deixar essa onda de frio passar batida e aproveitar um dos melhores dias para prová-la (de 10°C a 12°C).
Fiz o rótulo só para poder saber o tempo de vida da cerveja, nada sério (apenas um aviso aos colecionadores maníacos de plantão, hehe).
Tenho mais três exemplares desta cerveja que serão abertas com 2, 3 e 5 anos. Aí veremos outros aspectos da evolução desta Tripel. Além dela, tenho outros estilos guardados na adega (guarda-roupa) para umas futuras degustações. Não convidei o Jean para esta degustação porque ele ficou com uma destas na casa dele esses dias (Lembra Jean, aquela da tampinha com adesivo branco e uma bolinha azul de caneta).
Fico devendo a postagem que falarei sobre o resultado da bock, além da produção da Imperial Stout na Schornstein e a quinta bica na Academia da Cerveja. E tem cervejeiros novos por aí também. Até mais...
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Erdinger Weißbier Dunkel
A Erdinger Dunkel é uma cerveja preta com espuma de boa formação de média/baixa duração, com sabor de malte, de banana, de cravo, torrado, picante... com aroma frutado, de cravo, adocicado... É uma cerveja não filtrada, ou seja, ainda existe fermento dentro da garrafa, que proporciona uma aparência turva ao produto, não muito visível, pois a cerveja é bem escura. Pode-se notar, pedaços da levedura flutuando pelo precioso líquido! Esta é uma característica comum das cervejas de trigo não filtradas.
A degustação das duas cervejas Erdinger há alguns anos atrás, abriram-me os olhos para o mundo cervejeiro. Eu que gostava de Bohemia, Kaiser Summer Draft... descobri que conhecia somente a pontinha de um imenso iceberg que é o mundo cervejeiro. Depois, foram descobertas atrás de descobertas. O bolso sofreu (e ainda sofre), pois o preço pago pelas cervejas “especiais” ainda não são populares, mas, qualitativamente, a relação custo/benefício vale o investimento de cada centavo.
A seção nostalgia bateu após ler a excelente postagem "A cerveja do dia-a-dia" do ilustre Rodrigo Campos do blog Paraquevocerveja, que relata da cerveja para o dia-a-dia e da sua iniciação no mundo cervejeiro, com a qual me identifiquei em gênero, número e grau.
Erdinger Weißbier Dunkel
Família: Ale
Estilo: Dunkelweizen “15B” (segundo BJCP)
Sabores: malte, banana, cravo, açúcar, torrado, picante
Aromas: Frutado, adocicado, cravo
Espuma: média/baixa duração, de boa formação
Teor alcólico: 5,6 %
Outros links interessantes:
http://en.wikipedia.org/wiki/Erdinger
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,1619519,00.html
http://www.erdinger.de/en.html
http://paraquevocerveja.blogspot.com/
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Eu fui ao Workshop Produção de Cerveja Artesanal em Joinville/SC/Brasil 2009
Faz tempo que nada escrevo no Pão e Cerveja, não por falta de assunto, mas por falta de tempo. Tantas coisas se passaram e sobre as quais nada comentei... Vou começar pelo começo, ou quase...
Irei comentar brevemente sobre o Workshop Produção de Cerveja Artesanal, ocorrido no último dia 30/05 na cidade de Joinville, Estado de Santa Catarina, Brasil. Sobre o qual o Pão e Cerveja fez uma breve divulgação no mês de maio.
O blog Obiercevando, do nosso ilustríssimo Paulo Feijão, traz uma excelente postagem sobre o evento, falando sobre as palestras e acontecimentos do Workshop que ocorreu na Cidadela Cultural Antártica em Joinville. Para quem não sabe, a Cidadela Cultural foi construída no local aonde, antigamente, funcionava a tradicional fábrica da cervejaria Antártica de Joinville. E quem viveu na época sabe que a cerveja Antártica de Joinville era famosíssima, competindo com os grandes fabricantes de cerveja “Pilsen”.
Se fosse possível resumir o dia 30/05 numa só palavra, esta com certeza seria, inesquecível. Inesquecível não só pelo evento em si, mas pela agradável ida e vinda de Joinville. 25 participantes, se bem me lembro, partiram para o Workshop num micro-ônibus que faria o percurso Florianópolis – Blumenau – Joinville e vice-versa. A convivência, as brincadeiras e o clima de animosidade foram determinantes para o sucesso do evento.
Imagem: http://obiercevando.blogspot.com/2009/06/workshop-em-joinville-da-acerva.html
E agradecer também aos integrantes da Acerva Catarinense e aos demais colegas de viagem pelo convívio, pela receptividade e pela troca de experiências. Ah! Também pelas excelentes cervejas servidas no serviço de bordo, com direito a chopeira e caixas térmicas!! Fantástico!!
Só pela viagem, o dia 31/05 já valeu a pena!!
O workshop foi o ápice da consagração. Simplesmente excelente!! Organização, palestras, almoço, brindes, camiseta, apostila...
Participei como iniciante no workshop e assisti às seguintes palestras:
1) Produção de Cerveja All Grain (produção com os grãos de malte), uma cerveja Blond Ale, com os palestrantes Ivan e Diogo, os premiados cervejeiros da cervejaria Gräbenwasser (campeões do II Concurso Mestre Cervejeiro da cervejaria Eisenbahn). A palestra foi FANTÁSTICA: o Ivan possui uma metodologia intrínseca e sua exposição foi excelente, acompanhada pelo faz-tudo Diogo, proporcionado aos espectadores uma verdadeira aula de como fazer cerveja caseira. Comentário: Digo fantástica, pois, há uma semana do workshop, havia começado a preparar a minha primeira cerveja (American Pale Ale) com o meu ilustre amigo Sandro e, há duas semanas, havia presenciado, também junto com o Sandro, o ilustre Raphael Tonera elaborar uma Indian Pale Ale, e pude observar o quão didática foi a palestra, permitindo rever passo-a-passo as etapas do processo, resguardadas as diferenças entre os estilos.
Não falei ainda do café-da-manhã, do almoço, das cervejas levadas pelos cervejeiros artesanais ao evento, dos sorteios de brindes, do chop da cervejaria Opa Bier de Joinville... também teve a volta à Florianópolis, mais cerveja no ônibus...
Ganhei no sorteio três copos da Opa Bier, um de vidro, que foi para a coleção, é claro, e dois de plástico, mais festivos, com luzinhas, os quais fizeram a alegria da galerinha aqui de casa!!
Disse ao Feijão, que após a sua excelente postagem, iria fazer uma pequena nota do Pão e Cerveja, mas pelo visto, não foi tão pequena assim. Não me contive em não deixar registrado um dia tão especial.
Queria registrar a também a EXCELENTE organização do evento, realizada pelos colegas cervejeiros da Acerva Catarinense, Rubens e Selvino. Foi impecável!! Parabéns!!
Que venha o próximo evento em Floripa, agora, no mês de agosto!!
Obs.: As fotos que ilustram esta postagem são do blog Obiercevando do ilustre Feijão.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Cerveja versus sapato. As percepções de cada um...
Com certeza, cerveja é muito melhor do que sapato!! Todos concordam?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
WORKSHOP PRODUÇÃO DE CERVEJA ARTESANAL EM JOINVILLE/SC
- Produção de uma cerveja artesanal utilizando um kit de extrato de malte importado, conduzida com a colaboração de membros da ACervA Paranaense;
- Visitação guiada às antigas instalações da fábrica da Antarctica, com a participação especial de um de seus mais importante mestres-cervejeiros ainda em atividade, o Sr. Curt Zastrow, atual mestre-cervejeiro da microcervejaria ZeHn Bier de Brusque;
- Palestras técnicas e culturais à respeito do universo da cerveja apresentadas por profissionais e convidados especiais como: Sr. Elmar Schmitz, mestre-cervejeiro da microcervejaria OPA Bier de Joinville; Sr. Cláudio Zastrow, mestre-cervejeiro da microcervejaria Schornstein de Pomerode; Sr. Paulo Bertiol (Feijão), cervejólogo e autor do blog especializado oBIERcevando;
- Degustação de cervejas artesanais produzidas e oferecidas tanto por cervejeiros participantes, como, sobretudo, pela microcervejaria OPA Bier;
- Exposição de produtos, matérias-primas e equipamentos artesanais;
- Sorteio de brindes cervejeiros;
- Comercialização de suvenires.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Pão de banana
Imagem: Dos autores do <www.paoecerveja.blogspot.com>
Segue a receita modificada em gramas (também segue uma equivalência aproximada em medidas caseiras: 1 xícara de chá = 200 ml; uma colher de chá = 5 ml):
Pão de Banana
Ingredientes:
- 270 g de farinha de trigo (aproximadamente 2 xícaras de chá);
- 160 g de açúcar (aproximadamente 1 xícara de chá);
- 10 g de fermento químico (aproximadamente 1 colher de sopa);
- 2 g de sal (aproximadamente 2 colheres de chá);
- 200 g de bananas maduras sem casca amassadas (aproximadamente 1 xícara de chá ou aproximadamente três bananas médias);
- 100 g de óleo de soja (aproximadamente ½ xícara de chá);
- 100 g de ovo (aproximadamente dois ovos);
- Óleo de soja para untar a(s) forma(s);
Modo de Preparo:
- Misture todos os sólidos (trigo, açúcar, fermento e sal); -Acrescente as bananas amassadas e misture até incorporá-las à massa.
- Acrescente os ovos, incorporando-os à massa;
- Acrescente o óleo e misture-o até incorporá-lo;
- Colocar a massa até a metade do volume da(s) forma(s), que deve estar previamente untada com óleo de soja. Os pães geralmente dobram de volume após o cozimento.
- Assar em forno pré-aquecido a 200ºC por aproximadamente 40 minutos ou até dourar.
Imagem: Dos autores do <www.paoecerveja.blogspot.com>
Os pães apresentaram-se muito saborosos, diferente de outros pães de banana que já havia degustado, por não ter um sabor tão acentuado da fruta. Fiz a receita com banana branca e com banana caturra e os resultados são semelhantes, ou seja, muito bons. Para o pão ficar mais branco, pois a banana dá um tom escuro à massa, assar o pão logo após a homogeneização de todos os ingredientes. Quanto mais a massa demora a ir ao forno, mais ela escurecendo, pela oxidação da banana, e mais escuro ficará o pão.
Imagem: Dos autores do <www.paoecerveja.blogspot.com>
Observações:
1) A mistura antes da adição das bananas é seca, com aparência de farofa, porém vai mudando de aspecto, tornando-se mole;
2) Ao término da incorporação dos ovos, a massa está meio mole e parece até que não necessitará do óleo;
3) Aparentemente quando se mistura o óleo à massa, a quantidade parece excessiva, porém misturando-o bem, consegue-se incorporá-lo integralmente à massa;
4) Com esta quantidade de massa, é possível fazer um pão utilizando uma forma com furo no meio com 22 cm de diâmetro ou uma forma de pão de 10 x 26 cm. Pode-se também fazer dois pães, utilizando-se duas formas de pão de 9 x 20 cm;
5) Todas às vezes que utilizei forma revestida com teflon, as laterais dos pães elaborados sempre queimaram um pouquinho, para o mesmo tempo de forno (ver lateral do último pão da foto que abre esta postagem). Ficar de olho no pão, caso utilize este tipo de forma.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Cerveja Bock
E um dos estilos que gosto muito é o Bock. "A cerveja Bock é originária da cidade de Einbeck(...). Recriada em Munich a partir do século 17. O nome Bock vem da corrupção de "Einbeck" no dialeto bávaro e foi usado somente depois que a cerveja veio para Munich"
(Retirado de - http://www.bjcp.org/2008styles/style05.php - Tradução livre dos autores).
Ainda vale comentar que Bock em alemão significa bode, o que justifica a presença do animal em muito rótulos.
De acordo com a BJCP (www.bjcp.org) o estilo ainda é subdividido em quatro sub-estilos:
5A - Maibock/Helles Bock
5B - Traditional Bock
5C - Doppelbock
5D - Eisbock
Aquele sabor de uma bock vem de um processo chamado de decocção, onde se retira parte do malte+mosto da brassagem, ferve durante algum tempo e retorna-o à brassagem. Pode ser feito uma, duas ou três vezes chamando-se respectivamente de decocção simples, dupla ou tripla. Isto se fazia antigamente por conta da má qualidade dos maltes, conseguindo uma eficiência maior na brassagem.
No processo de decocção, ocorre com mais intensidade a reação de Maillard do que na fervura, formando as melanoidinas responsáveis pelo sabor de cerveja bock.
"A reação de Maillard é uma reação química entre um aminoácido ou proteína e um carbohidrato reduzido, obtendo-se produtos que dão sabor, odor e cor aos alimentos. O aspecto dourado dos alimentos após assado é o resultado desta reação de Maillard.(...)Dependendo dos tipos de proteínas e açúcares que compõem o alimento, o processo produz resultados diferentes quanto ao aspecto, cor e sabor. Estas características são diferentes entre um bolo assado e um frango assado, por exemplo.(...)A reação que ocorre no processo de Maillard é diferente do processo de tostamento e caramelização. No tostamento ocorre uma reação de pirólise do carboidrato (desidratação térmica) e na caramelização ocorre uma desidratação, condensação e polimerização do carboidrato. Em nenhum dos dois casos ocorre o envolvimento das proteínas." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Reação_de_Maillard).
Não sou conhecedor do assunto (reação de Maillard) e portanto não posso comentá-lo a fundo.
Todas as minhas tentativas foram tentando chegar a uma Traditional Bock e contarei um breve histórico das minhas produções:
1ª produção: Ficou muito boa, pena que não era nem de longe uma bock. Acabou sendo minha primeira versão da Oktoberfestbier.
2ª produção: Percebi na primeira leva que tinha que colocar mais malte Melanoidina. Como o próprio nome do malte sugere, gostaria de ter mais sabor das melanoidinas e por isso coloquei em torno de 22% do total de grãos em peso, sendo que o máximo recomendado era de 20%.
Outra vez ficou uma bela cerveja, mesmo com seus 7% de álcool. Mas ainda não tinha chegado aonde queria.
E agora descreverei a última leva de bock até então, usando o método da DECOCÇÃO.
Pela foto abaixo podemos observar que é mais complicado fazer pela maior "demanda" de espaço e equipamentos.
Basicamente fiz a primeira e a segunda rampa de temperatura de brassagem que uso (45°C e 55°C). A idéia era retirar parte do mosto+malte em 55°C, ferve-lo e recoloca-lo na panela de brassagem, ajudando a aumentar a temperatura para a próxima etapa e fazer novamente no próximo degrau de temperatura.
Chegando no final coloquei para fermentar o mosto e foi quando retirei uma amosta para observar a cor: infelizmente não obtive o resultado desejado!
Depois de fermentado tive uma confirmação da constatação acima. A cerveja ficou com 6% de álcool em volume e bom conjunto. Não poderei comentar mais sobre ela porque ainda está carbonatando e não a coloquei em garrafas. Tudo bem, no minímo ficará uma boa Helles bock, tentarei na próxima vez.
domingo, 29 de março de 2009
Eisenbahn Lust

Imagem: Dos autores do Pão e Cerveja
No site da cerveja - sim, a Eisenbahn Lust tem o seu próprio site Eisenbanh Lust - pode-se conhecer mais sobre o seu processo de fabricação e como melhor realizar a degustação. No site encontramos os dizeres "A sensação de degustá-la é indescritível", e felizmente, pelo menos na minha impressão pessoal, o apelo de marketing é realmente verdadeiro.
Existem poucas cervejarias no mundo que comercializam cervejas elaboradas pelo método champenoise. No Brasil, a única é a Eisenbahn. Segue alguns links destas cervejarias:
quinta-feira, 26 de março de 2009
Por um Brasil Cervejeiro Melhor
Por um Brasil Cervejeiro Melhor (por Marco Falcone)
Amigos,
Venho falar a todos vocês sobre um tema de alta relevância. Peço que leiam com atenção pois isto é a sobrevivência ou a morte da cultura cervejeira no Brasil.
Depois de décadas de impedimento, de obscuridade e de privação com relação à livre escolha com relação às cervejas especiais (chamo estas décadas de "os anos de chumbo da cerveja"), como todos vocês já sabem, surgiu no Brasil, como na Europa e América do Norte há poucos anos esta magnífica e exuberante revolução das cervejas artesanais. Não perderei tempo com este histórico pois já é de conhecimento de todos.
Particularmente, nós da Falke Bier entramos de cabeça, largamos tudo, nos dedicamos ao máximo não só em prol de nossa cervejaria, mas também em prol da cultura cervejeira no Brasil. Fizemos em Minas um movimento pesado, organizamos o setor de cervejas no Sindbebidas e ajudamos a criar no SEBRAE uma pasta específica para o setor das micro cervejarias englobando também as cervejas caseiras. Abrimos nossa cervejaria à todos que quizessem conhecer, acompanhar o processo. Arrebatamos dezenas e dezenas de novos aficcionados.
Em termos nacionais, incentivamos a formação de várias Acervas, apoiamos e patrocinamos todos os Concursos Nacionais, desde o primeiro no Rio de Janeiro, em 2006, quando enviamos um barril de Red Baron. Temos contribuido de forma aberta com vários foruns, inclusive no Orkut.
Incentivamos e trouxemos de volta para o movimento figuras como o Mestre Paulo Schiaveto, que hoje é grande referência não só no Brasil, como no mundo. Isto, para não citar outras ações, como cursos, palestras, harmonizações dirigidas, que devem estar na memória da maioria de vocês.
Ousamos formulando receitas especiais, lançamos o primeiro chopp comercial com o malte torrado na própria fábrica. Formulamos a primeira cerveja Tripel comercial fabricada no país. Partimos para outros estilos, investimos pesado em uma IPA também objetivando dar acesso a todos a esta diversidade de estilo, isto tudo, apesar dos abusivos impostos que éramos obrigados a arcar, com se fôssemos grandes cervejarias, ficando claro a injustiça com relação ao poder contributivo, para empresas de tão pequeno porte.
Isto também ocorreu com as demais micro cervejarias do Brasil, cientes da necessidade da expansão da cultura cervejeira no país. Quem não sabe das investidas fantásticas da Colorado, ousando incrivelmente, da Bamberg com sua diversificada carta, da Backer, da Krug (Austria), da Wäls com fantásticas cervejas, da Dado, Schmitt, da Abadessa, a Coruja, nem vou me extender para não cometer a injustiça do esquecimento, mesmo sabendo que já estou incorrendo nesta falha.
Também obtiveram crescimento outros atores da cadeia produtiva, como os fornecedores de matéria prima, de equipamentos, consultores como a fantástica Cilene Saorim entre outros (olha eu novamente cometendo injustiça por ouvidar nomes), publicações diversas, bares e restaurantes especializados em gastronomia, sobretudo os de cervejas especiais, delikatessens, supermercados gourmet, fornecedores de acessórios, etc.
Fantástico o momento, não? Não. O Governo federal resolveu acabar com isto tudo. Promulgou, a partir de 1o. de janeiro deste ano uma lei, injusta e confiscadora que promoverá a curto prazo a inviabilidade de nossa atividade no Brasil. Mata os fabricantes existentes e aborta os fetos que são os homebrewers. Sobrarão alguns poucos na informalidade.
Na verdade, atendendo a interesse de que nem sei de quem, foi criada uma pauta para os tributos federais (PIS, COFINS e IPI - Leis 11.727 e 11.827) que oneraram inacreditavelmente todos os micro cervejeiros no país. Isto em um momento de crise, em que inclusive, alguns setores da economia tem sido contemplados com isenção de IPI.
Para tentar reverter esta situação, reunimos algumas micro cervejarias, no mês de dezembro passado (2008), em São Paulo, mas ainda nos encontrávamos nocauteados, não obtivemos um norte naquela reunião.
Progredindo na tentativa de reação, cada micro cervejaria passou a pesquisar, consultar suas bases jurídicas e tributárias e debater via e-mail uma solução. Com a recente consolidação da ASCASC - Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina, dotada de uma excelente organização e com um significativo número de integrantes, e ainda, da proximidade com o Rio Grande do Sul, outro estado que envolve um grande número de micros (25, segundo o Gustavo da Schmitt), além da proximidade do Sudeste, realizamos ontem, dia 20 de março, uma reunião que pode ser o marco de uma reviravolta desta derrama que o governo está promovendo em nosso setor.
Com presença das Micro Cervejarias Schornstein (SC), Zenh Bier (SC), Saint Bier (SC), Euro Bier (RS), Cervejaria da Ilha (SC), Schmitt Bier (RS), Ralf Bier (RS), Wäls Bier (MG), Krug Bier (MG), Colorado (SP), Fake Bier (MG), Opa Bier (SC), Borck (SC), Bier Land (SC), Das Bier (SC), Sud Brau (RS), além dos Advogados Jorge Glitzer, presidente da Acerva Gaúcha e do José Cândido Borba, Advogado Tributarista, também distribuidor de cervejas especiais, residente em Florianópolis.
Nosso propósito é nos municiar de todos e quaisquer argumentos, de toda e qualquer prova da inviabilidade que nos impingiram, formulando, além de planilhas abertas para cada micro cervejaria, para cada Estado uma documentação comprobatória da situação.
Temos a favor - O que ocorrerá com o setor se obtiver tratamento tributário justo:
- Maior número de micro cervejarias, com a adesão de um grande número de empresas atraídas pela viabilidade do empreendimento;
- Maior número de empregos/litros de cerveja, e também relativo aos empregos indiretos;
- Valorização da mão-de-obra local com especialização;
- Diminuição da informalidade no setor;
- Incremento no setor gastronômico, com novas oportunidades para bares e restaurantes;
- Aumento de produção e consequentemente vendas, nas empresas já estabelecidas;
- Ampliação da oferta de estilos, consolidando o país como uma nova escola cervejeira;
- Maior oferta aos amantes, apreciadores e degustadores, que passarão a consumir o produto nacional em detrimento das importadas;
- Possibilidades de exportação, ampliando as fronteiras do país;
- Beneficiamento signigicativo do turismo em todos os Estados contemplados;
- Resgate histórico e cultural de uma cultura milenar que está enraigada no brasileiro;
- Estímulo ao consumo responsável, já que cerveja artesanal se consome em menores volumes.
- Benefícios à saude, já que são bebidas ricas em complexos vitamínicos e não utilizam conservantes e produtos químicos lesivos;
- Embora o álcool em quantidades elevadas possa ser nocivo, no caso das cervejas artesanais o estímulo é pelo consumo reduzido;
- Aumento na arrecadação de impostos.
Contra - O que ocorrerá com a manutenção do novo regime tributário:
- Retração de novos empreendedores;
- Aumento da informalidade;
- Privação dos amantes,degustadores e apreciadores em geral das novas e excelentes cervejas, obrigando-os ao velho cartel;
- Retração em toda a escala produtiva, inibindo aumento nos empreendimentos;
- Estancamento desta nova atividade cultural, histórica e turística;
- Prejuízo para todos, inclusive para o poder público.
Consideramos ainda que a perda arrecadatória com o atendimento a nosso pleito é insignificante à Receita, somos apenas 0,18% da tributação nacional, e que os ganhos com a adesão de novos empreendedores superam significativamente.
Fundamentada a idéia, gostaria de solicitar a colaboração de todos da cadeia produtiva. Em breve estaremos lançandos acões, manifestos, abaixo-assinados, até participação em passeatas, tudo que possa mostrar a força de nosso movimento.
Na reunião do dia 20, formamos algumas comissões para transformar em números e planilhas o que foi aqui exposto. Estamos com nova reunião marcada, para consolidar isto tudo no dia 24 dia abril, em Florianópolis, na FIESC, mesmo lugar.
Solicitamos a todos sugestões, contribuições com análises ponderadas, vislumbramento de canais que viabilizem nosso pleito.
Vamos à luta, amantes da boa cerveja. Divulguem à todos de boa razão.
Um abraço, e "Pão e Cerveja!"
Marco FalconeMicro Cervejaria Falke Bier(31)8483.9046 Fax (31)3624.8439
visite nosso site: www.falkebier.com.br
segunda-feira, 23 de março de 2009
Pão de Queijo (por Michelle)
Imagem: Dos autores do blog <www.paoecerveja.blogspot.com>
Parabéns, Michelle, e muito obrigado pelo belo presente. PS.: Não lhe disse que era fácil?

