quarta-feira, 30 de julho de 2008

Cheesecake de aveia, ricota e goiabada

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Iniciando a série de publicações "Produtos Panificáveis para Pessoas com Restrições Alimentares", apresenta-se a receita elaborada pelas ilustres colegas do curso de panificação do CEFET/SC - Unidade Continente, Jana e Dani, denominada Cheesecake de aveia, ricota e goibada. Na postagem anterior chamei a receita de "torta de aveia, goibada e ricota", desconhecia o termo "cheesecake". Traduzindo literalmente, cheesecake seria "bolo de queijo".
Cheesecake é uma família de doces e bolos à base de queijo. Utilizam queijos frescos e suaves como recheio numa massa crocante. O queijo geralmente utilizado é o cream cheese e a massa, geralmente, feita com pedaços de biscoitos ou bolachas (http://en.wikipedia.org/wiki/Cheesecake, http://www.estacio.br/rededeletras/numero6/the_book/cheesecake.asp).

A receita da Jana e da Dani é diferente: utiliza ricota, substituindo o cream cheese, e utiliza aveia, substituindo as bolachas, além de usar algo tipicamente brasileiro, a goiabada. A receita é indicada para pessoas com diabetes mellitus, dislipidemia e obesidade. Entretanto, como estas pessoas posssuem restrições alimentares, não convém abusar da quantidade da deliciosa receita.

A diabetes mellitus é caracterizada pelo excesso de "açúcar" (na verdade, é excesso de glicose, um tipo de carboidrato simples) no sangue. Logo, parece ser óbvio que pessoas com diabetes mellitus não podem abusar do uso de glicose - "açúcar". O "açúcar", popularmente, é sempre associado ao açúcar refinado de cana-de-açúcar, riquíssimo em glicose e principal fonte de glicose da dieta diária do brasileiro.

Entretanto, a maioria das pessoas acha que não consumir açúcar refinado é suficiente para "controlar" a diabetes mellitus. Porém, isto é mito!!!

Na verdade, os diabéticos não podem abusar do uso de fontes de carboidratos (alimentos que são fontes de energia), sejam eles simples, como a glicose, ou complexos, como o amido. Por quê? Porque quando ingeridos, os carboidratos complexos transformam-se, por ação de enzimas presentes no organismo, em carboidratos simples, ou seja, glicose.

E quais são os alimentos ricos em amido? Os mais consumidos, por serem a base da dieta humana: arroz; batata inglesa; batata doce; farinha de trigo; pães; bolachas; biscoitos; aipim, mandioca; farinha de mandioca; farofa; polvilho; etc.

Além disso, é comum que pessoas com diabetes mellitus possuam disfunção metabólica, ou seja, possuem um desiquilíbrio no organismo, que acaba gerando dislipidemia e obesidade. Logo, os diabéticos também não podem abusar do consumo de lipídios (gorduras) e também de proteínas (alimentos construtores).

A dislipidemia é caracterizada pela elevação dos índices de triglicerídeos e de colesterol (tipos de gorduras) do sangue. Logo, devem possuir dieta pobre em gorduras saturadas e gorduras trans.

A obesidade é caracteriza pelo excesso de "peso" (massa), fruto da ingestão excessiva de energia (calorias), que vai sendo acumulado pelo organismo sob forma de gordura. Os obsesos devem consumir alimentos com baixo valor energético, ou seja, com baixa quantidade de calorias, para auxiliar na perda de massa corporal. Desta forma, não devem abusar na ingestão, principalmente, de carboidratos e gorduras.

A receita Cheesecack possui:
- baixa quantidade de carboidratos, pois usa adoçante e não açúcar refinado, e usa geléia diet (sem açúcar);
- baixa quantidade de gorduras saturadas e trans, pois usa margarina light (com redução de 25%, no mínimo, de gorduras em relação à margarina comum) e ricota light (com redução de 25%, no mínimo, de gorduras em relação à ricota comum).

Alerta: apesar da receita ser indicada para diabetes mellitus, dislipidemia e obesidade, o seu consumo deve ser moderado, pois não é livre de carboidratos e nem de gorduras.

Cabe aqui a minha impessão pessoal, visto que degustei a torta da foto: a torta é deliciosa e sem gosto de adoçante!

Parabéns, Jana e Dani!

Cheesecack de aveia ricota e goiabada

Ingredientes da Massa:
- 150 gramas de aveia em flocos;
- 10 gramas de adoçante em pó;
- 60 gramas de margarina light sem sal.

Preparo da massa:
- Misture todos os ingredientes até formar uma massa;
- Abra essa massa em uma forma de fundo removível. Observação: cubra apenas o fundo da forma com a massa;
- Após o fundo da forma, leve ao forno por 10 minutos até dourar as bordas;
- Retire do forno e reserve.

Ingredientes do recheio:
- 300 gramas de ricota fresca light;
- 400 ml de iogurte natural desnatado;
- 6 gramas de adoçante em pó.

Preparo do recheio:
- Esfarele a ricota;
- No liquidificador coloque o iogurte, o adoçante e, aos poucos, a ricota, até virar um creme branco;
- Coloque esse creme sobre a massa reservada e leve ao forno por 15 minutos até dourar o creme;
- Retire do forno e reserve.

Ingredientes da cobertura:
- 300 gramas de geléia diet de goiaba;
- 10 gramas de gelatina incolor sem sabor.

Preparo da cobertura:
- Dissolva a gelatina incolor em meio copo de água e leve a fogo baixo em banho maria para dissolver a gelatina;
- Em seguida, misture bem a gelatina e a geléia. Coloque esta mistura sobre a torta;
- Leve à geladeira por 1 hora;
- Após, passe uma faca em toda lateral da forma para que a cobertura desgrude;
- Desenforme e sirva: BOM APETITE!!!

Dica:a geléia diet pode ser substituida por outro sabor. Se preferir um recheio mais azedinho, acrescente meio limão espremido na hora do preparo do recheio.

Obs.: O adoçante em pó utilizado foi o da marca "Tal e Qual" (http://www.talequal.com.br/). Não é indicado o uso de adoçantes cuja composição possua aspartame, pois este ingrediente quando "cozido" perde o seu sabor doce, tornando-se amargo.
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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Pães para pessoas com restrições alimentares

Pãezinhos de Iogurte Natural com Azeite de Oliva e Linhaça (por Cadu e Pri)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com/

Hoje foi o último dia de aula do Curso Técnico de Panificação do CEFET/SC - Unidade Continente, o qual curso há um ano.

Pãezinhos com Brócolis, Cenoura, Allho e Cebola (por J.P.)

Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

Ano de aprendizados, de descobertas, de novidades, de amizades e, principalmente, de trocas.

Torta de Aveia, Ricota e Goiabada (por Dani e Jana)

Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

Registro aqui o meu agradecimento ao CEFET/SC, aos nossos ilustres professores e aos meus queridos colegas de curso.

Pão de Lanche com Tomate, Aspargos, Cogumelos e Ricota (por Paula)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

Obrigado a todos pelos ensinamentos, pelos conceitos, pelas aulas, pelo apoio e pela paciência. Obrigado por me aturarem...

Bolo de Chocolate com Farinha de Arroz (por Suelen)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

Saudades??!! É óbvio que não sentirei... Todos sabem disso! Galera, Valeu!!

Biscoitinhos de Polvilho? (por Cilma e Zé Carlos)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

A nossa última aula foi da unidade curricular "Restrições Alimentares", na qual tínhamos que propor e elaborar receitas de produtos panificáveis para pessoas com algum tipo de restrição alimentar.

Bolo de Fubá com Adoçante? (por Charles e Nilva)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com

Foram propostas receitas para: obesidade, deslipedemia, hipercolesterolemia, diabetes mellitus, doença celíaca, intolerância à lactose e hipertensão.

Pão de Queijo com Ricota e Parmesão (por Manu e Jean)
Imagem: Dos autores do blog http://paoecerveja.blogspot.com


As imagens apresentadas neste post são da produção que efetuamos nesta última aula, hoje, 23/07/2008. Caso os queridos colegas autorizem, divulgarei em futuros posts as respectivas receitas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Tortas de massa folhada


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Hoje efetuamos a confecção de tortas com massa folhada que havíamos preparado em aulas anteriores. As aulas as quais que me refiro, são as aulas do curso técnico de panificação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET/SC) - Unidade Continente (http://www.cefetsc.edu.br/website/index.jsp).
Para quem nunca fez massa folhada, não tem idéia do trabalho necessário para a "fabricação" da massa. Com certeza, é bem mais prático e seguro, adquirir a massa folhada já pronta.

Imagem: http://thermomixster.blogspot.com/2007/01/une-pte-feuillete-en-3-mn-cest-possible.html


Mas, como bons profissionais de panificação, devemos obrigatoriamente conhecer o processo de fabricação. Alerto para o fato de que algumas imagens utilizadas neste post utilizam utensílios (rolo de massa) de madeira, o que é proibido pela legislação sanitária brasileira para uso em estabelecimentos comerciais, porém para uso domésticos, os utensílios de madeira estão "liberados".

A massa folhada é típica da cozinha francesa. Em francês, massa folhada é "pâte feuilletée" e, em inglês, "puff pastry".

A massa folhada, como o nome já diz, é uma massa com várias "folhas", ou seja, várias camadas. E são folhas fininhas... As camadas são formadas por sucessivas dobraduras na massa.





Entre estas dobraduras, insere-se originalmente, manteiga, que funciona como isolante, permitindo o cozimento das folhas sem que estas se fundam, dando ao produto final um aspecto folhado.

Atualmente, quando busca-se a padronização e a qualidade no produto final das massas folhadas, principalmente para fins comerciais, utiliza-se, em vez da manteiga, gordura vegetal especial para massa folhada.

Esta gordura é, na verdade, uma mistura de gorduras que combinadas possuem um ponto de fusão (derretimento) mais elevado do que outras gorduras ou mesmo da manteiga. Por derreter "mais tarde", a gordura proporciona um melhor folhado no produto final.

Pra falar a verdade, é bem interessante o processo de fabricação: faz-se a massa (que não leva fermento) e deixa-se descansar por 30 minutos.

Após o descansar, abre-se a massa em forma de retângulo e sobre esta, espalha-se homogeneamente a gordura vegetal especial. O espalhar da gordura está vinculado a primeira dobradura que se faz na massa, pois geralmente coloca-se toda a gordura da receira na primeira dobradura.

Nesta receita usamos duas "dobras de três" e duas "dobras de quatro". Logo, dependendo da receita, outros tipos de dobraduras podem ser utilizadas.

A dobra de 3 consiste na dobradura da massa retangular em três partes e, posteriormente, se faz a dobradura das duas partes periféricas sobre a parte central, originando "três folhas".

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/


A dobra de 4 consiste na dobradura da massa retangular em quatro partes: Faz-se inicialmente a divisão imaginária em quatro partes. Após, dobra-se as duas partes periféricas sobre as duas partes centrais. E, finalmente, dobra-se ao meio, o produto do passo anterior.

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Na primeira "dobra de três" espalha-se a gordura em 2/3 da massa esticada (conforme figura 1). Deve-se deixar uma borda de aproximadamete 1 cm, para evitar, quando realizado o esticamento da massa na próxima etapa, que a gordura seja expelida.


FIGURA 1



Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-41.html

Dobra-se o 1/3 sem gordura sobre o 1/3 central (conforme a figura abaixo2) e, posteriormente, o 1/3 periférico com gordura sobre as "costas" do 1/3 sem gordura (conforme a figura 3), de forma que se tenha camadas alternadas de massa e gordura.

FIGURA 2


Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-42.html

FIGURA 3


Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-43.html



Abaixo (figura 4) aprensenta-se a imagem da primeira "dobradura de três" pronta.

FIGURA 4



Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-44.html

Após (conforme figura 5), estica-se a massa para espalhar da gordura e efetua-se nova "dobra de três" (figuras 6 e 7).

FIGURA 5



Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-45.html



FIGURA 6



Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-46.html

FIGURA 7


Imagem: http://www.dkimages.com/discover/Home/Food-and-Drink/Cooking/Pastry/Puff-Pastry/Puff-Pastry-47.html


Após a segunda "dobra de três", a massa é colocada para descansar em ambiente refrigerado por 30 minutos.

Posteriormente, abre-se novamente a massa em forma de retângulo e efetua-se a primeira dobra de quatro, colocando-a em seguinda para novo descanso de 30 minutos em ambiente refrigerado.

Repete-se o procedimento para a segunda "dobra de quatro". Recomenda-se que a massa descanse por no mínimo 24 horas, antes de prepará-la.

Por ser uma massa "neutra", ou seja, nem doce, nem salgada, é possível utilizá-la com os mais variados recheios, e também com os mais variados formatos.

Seguem imagens dos produtos elaborados nas aulas do Curso Técnico em Panificação do CEFET/SC - Unidade Continente.

Tortas com recheio de maçã e canela

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Folhados com recheio de abacaxi com creme de baunilha

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Cerveja Pilsen



As cervejas mais consumidas no mundo são as cervejas do tipo Pilsener. Elas podem ser encontradas também com as seguintes denominações: Pilsen, Pilsner ou Pils. No Brasil, a maioria das pessoas acha que cerveja é sinômimo das cervejas "Pilsen" aqui produzidas e comercializadas.

O tipo PILSENER é um tipo de cerveja originário na região de Pilsen, localizada na província da Boêmia, na atual República Tcheca. A capital da região de Pilsen é a cidade de mesmo nome, ou seja, Pilsen.

Localização geográfica da República Tcheca

Para quem não lembra, a República Tcheca é um país da Europa Central, que formava até 1993, com a Eslováquia, a Tchecoslováquia.

As cervejas pilsener são cervejas LAGER, ou seja, de baixa fermentação. A baixa fermentação está relacionada com posição da levedura na fermentação do mosto, ou seja, a levedura fisicamente fica depositada no fundo do recipiente aonde se dá a fermentação.

As cervejas cuja fermentação se dá na parte de cima do recipiente são cervejas ALE. Mas isso dá outra história...
Entretanto, não se deve confundir baixa e alta fermentação com baixo ou alto teor alcoólico.

As cervejas PILSENER, segundo o Beer Judge Certification Program (BJCP) <http://www.bjcp.com/> , são classificadas em três categorias: a GERMAN PILSNER, a BOHEMIAM PILSENER, e a CLASSIC AMERICAN PILSNER.


Todas as PILSENER são de coloração clara, dourada, transparente e com pouco amargor e baixo teor alcoólico, no máximo 6%. A GERMAN PILSNER e a CLASSIC AMERICAN PILSNER são descendentes da BOHEMIAM PILSENER.

No Brasil, todas as cervejas que aparecem na mídia, principalmente na televisão, são cervejas denominadas "Pilsen", porém tem pouco em comum com as cervejas PILSENER classificadas pela BJCP.

Estas cervejas brasileiras "Pilsen", na verdade, segundo a BJCP, são cervejas do tipo AMERICAN LAGER LIGHT, ou seja, são cervejas leves de baixa fermentação ("LAGER") .

A AMERICAN LAGER LIGHT caracteriza-se como uma cerveja com leve amargor e baixo teor alcoólico (no máximo 6%), fabricada com o uso de cereais não malteados, como o arroz ou o milho, juntamente com o malte de cevada.

Logo, usamos no Brasil uma denominação inapropriada, se levarmos em conta os critérios da BJCP. Na prática, se compararmos as cervejas PILSENER com as "Pilsen", constataremos que as PILSENER são mais amargas, mais encorpadas, com mais sabor e as "Pilsen" são mais fraquinhas, mais aguadas... e isso não quer dizer que sejam ruins, muito pelo contrário. São estilos diferentes.

As cervejas Pilsen brasileiras mais conhecidas são: Bohemia, Skol, Brahma, Antática, Kaiser, Bavária, Nova Schin e Colônia.

Há outras cervejas "Pilsen" no Brasil denominadas de cervejas "Pilsen Premium". O Premium se refere à utilização de malte de cevada na sua elaboração, ou seja, não utilizam cereais não malteados, como arroz ou milho. Geralmente são ditas "puro malte" ou "100% malte".

A Bavária Premium é uma destas "Pilsen Premium", logo é uma cerveja de puro malte.

Há também por aqui cervejas "Pilsen" mais encorpadas ou diferenciadas, como a Kaiser Gold, a Brahma Extra, a Antártica Original. Todavia, nestas também são utilizados cereais não malteados.


Existem também por aqui, cervejas Pilsen puro malte produzidas por microcervejarias, algumas seguindo a lei de pureza alemã, a "Reinheitsgebot" de 1516, como por exemplo, a Eisenbahn Pilsen.



Mas qualidade e sabor não estão relacionados diretamente ao tipo da cerveja, logo há público para a PILSENER, para o tipo "Pilsen" (American Lager Light) ou para a Pilsen Premium, seja a de puro malte ou não.

Como acreditamos num mundo sem preconceito e considerando que "cerveja é algo que não se discute" (para o bom bebebor, estas palavras já bastam), devemos brindar à Pilsener, à Pilsen, à Pilsner, à Pils, seja qual for a denominação.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Frango na cerveja

Pessoal,
domingo a Jú (minha namorada) fez uma receita rápida (tanto quanto este post), fácil e deliciosa:- O "FRANGO NA CERVEJA"-
Para acompanhar, batatas saute ou sotê que incrementaram a refeição.
A receita é a seguinte:

- 6 sobre-coxas de frango (apesar de ter coxas alí) sem pele.
- 1 pacote de sopa de cebola.
- 1 Cerveja pílsen 355ml (de preferência puro malte ou com sabor de cevada pronunciado).


Coloca-se as sobre-coxas dentro de um refratário, esparrame a cerveja e distribua o pacote de sopa de cebola por cima.
Colocar papel alumínio por cima do prato e levar ao forno por 1 hora. Quando faltar em torno de 15 minutos, retirar o papel alumínio para dourar o frango e está pronto!


As batatas já comentadas têm diversas receitas na internet, por isso não vou coloca-la aqui.
A cerveja utilizada foi a Kaiser Gold (não tinha Eisenbahn pílsen no BIG), pois apresenta um bom corpo e sabor de cevada.
Esta cerveja também me parece um pouco mais lupulada que as ´´normais´´ e deixou um amargor final contra-balanceando com o sabor da carne de frango.
Para o meu paladar, isto ficou fantástico.
Algumas cervejas para acompanhar este prato: "Pale Ale Belga" ou tipo "Abadia" (Eisenbahn Pale Ale, Leffe Blond), Pílsen Alemãs (Löwenbräu) ou Oktoberfestbiers (Paulaner Oktoberfest e Tonera Festbier, a minha).
Prato delicioso e fácil de fazer. Mais uma desculpa para tomar CERVEJA...

domingo, 1 de junho de 2008

Pão de Queijo com Parmesão e Ricota


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/


O pão de queijo é considerado um pão típico brasileiro, originário do Estado de Minas Gerais (um dos 26 Estados brasileiros). Tradicionalmente, o pão de queijo utiliza queijo minas (também, típico do Estado mineiro) em sua fabricação.

Apesar de não utilizar farinha de trigo e não necessitar, a princípio, de nenhum tipo de fermento biológico ou químico, o pão de queijo é um pão. Há receitas de pão de queijo que utilizam fermento.
Por não usar farinha de trigo, o pão de queijo pode ser consumido pelos celíacos (pessoas que possuem intolerância ao glúten). O glúten é uma composição de proteínas (gliadina e glutenina) existentes em alguns cereais: o trigo, a aveia, o centeio e a cevada.

O pão de queijo utiliza o polvilho (ou fécula) de mandioca como farinha.

O polvilho pode ser doce ou azedo.

O polvilho é um produto amiláceo extraído das raízes da mandioca.

Para a fabricação do polvilho, primeiramente, a mandioca é ralada, obtendo-se uma massa. Em seguida, adiciona-se água a esta massa que, posteriormente, é coada. Coando-se, há a separação da água com polvilho das fibras da mandioca. O próximo passo é a decantação desta água. O polvilho decantado, finalmente é seco. A este polvilho, denomina-se polvilho doce.

O polvilho azedo é fruto da fermentação desta água com o polvilho. Que após a fermentação também é decantado e seco.

O polvilho doce é mais fino do que o polvilho azedo, e ambos são amplamente utilizados na fabricação de biscoitos e do pão de queijo.

Recentemente, comprei um livrinho de receitas (Pão de Queijo. Receitas & Delícias. Alto Astral: São Paulo, 2008. Ano 9, n. 71) que traz 93 diferentes receitas de pão de queijo. Já experimentei duas delas, porém já as modifiquei por não ter disponível alguns dos ingredientes indicados. Segue a receita executada ontem, dia 31/05/2008.



Pão de queijo com queijo parmesão e ricota


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Ingredientes:

- 1 xícara de chá de leite;

- 2 colheres de sopa de margarina;

- 1/2 colher de chá de sal;

- 2 xícaras de chá de polvilho doce;

- 50 gramas de queijo parmesão ralado;

- 350 gramas de ricota ralada ou picada;

- 2 ovos;

- Óleo de soja para untar as mãos durante a modelagem e as formas para o cozimento.

Modo de Preparo:
1) Reserve o polvilho numa vasilha;
2) Numa panela, leve ao fogo baixo até ferver, o leite, a margarina e o sal;
3) Despeje o líquido fervente sobre o polvilho para escaldá-lo e amasse-o até amornar;
4) Acrescente, sucessivamente, o queijo parmesão, a ricota e os dois ovos, até homogeinizar a massa;
5) Unte as formas que serão utilizadas para assar com uma pequena quantidade de óleo de soja;
6) Unte as mãos com óleo de soja, pois a massa é bem grudenta, e modele bolinhas. "Comentário: O tamanho das bolinhas fica a critério do padeiro";
7) Disponha as bolinhas sobre a forma já untada e asse em forno médio (200 oC por cerca de vinte e cinco minutos ou até dourar os pães).



Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/


A receita original leva 2 xícaras de chá de queijo minas meia cura, o qual não encontrei no supermercado e acabei substituindo-o pelo parmesão e pela ricota. Os pães que fiz, para o meu paladar, ficaram um pouco salgados, mas o pessoal aqui de casa não reclamou. Sugiro não colocar a meia colher de chá de sal da receita, visto que o parmesão já contém sal suficiente.


Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Sugestão de recheio: Pode-se rechear ou não o pão de queijo. Esta decisão é do degustador. Uma sugestão é recheá-lo com requeijão, conforme a foto abaixo.

Imagem: Dos autores do blog http://www.paoecerveja.blogspot.com/

Sou suspeito pra comentar o resultado, porém, acreditem, estava muito bom.

Esta receita rendeu 19 pãezinhos e somente um amanheceu no mês de junho. O miolo do último Moikano (The Last Mohawk) ainda estava macio nesta fria manhã de 01/06/2008.

sábado, 31 de maio de 2008

Belle-Veu Kriek (continuação)


Segue apresentação da Belle-Veu Kriek que encontrei no site da AMBEV <http://www.ambev.com.br/pro_73.htm>:


"Belle-Veu


Produto: Belle-Vue
Definição/Tipo: Cerveja tipo Lambic
Embalagens: Garrafas de 375 ml
Teor alcoólico: 5,1%

A Belle-Vue Kriek é obtida através da maceração de cerejas frescas tipo kriek em alambiques, o que confere uma tonalidade avermelhada e um refrescante sabor de fruta à bebida. A Belle-Vue é uma cerveja suave, leve e adocicada, ideal para ser tomada como aperitivo, podendo substituir o espumante ou Champagne.
Também pode ser servida ao fim da refeição acompanhando queijos, que são servidos como sobremesa em um jantar tipicamente francês ou belga. Ainda, acompanha perfeitamente sobremesas de frutas vermelhas, strudel de maçã, pêra flambada, tortas ou bolos de frutas.

Histórico
Belle-Vue é a cerveja tipo Lambic mais vendida no mundo. Lambic são cervejas tipicamente belgas, produzidas a partir da fermentação espontânea de microorganismos presentes no ambiente.

Esses microorganismos se desenvolvem na região de Bruxelas, em uma localidade conhecida como Vale Senna. Sendo assim, Lambic é uma denominação de origem. Somente as cervejas feitas na Bélgica que atendem a determinados requisitos legais podem ser assim classificadas.

A fermentação espontânea gera uma cerveja mais ácida e, por isso, as cervejas desse tipo têm a acidez como uma característica marcante. Uma autêntica Lambic é feita por um blend de cervejas envelhecidas em barris de carvalho, aos quais se adicionam frutas vermelhas para conferir um sabor e aroma frutados ao produto, além da coloração avermelhada."

Acredito que com as informações acima, nossos leitores ficarão mais informados sobre a Belle -Veu Kriek.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cerveja de Cereja (Belle-Vue Kriek)

Há cervejas com sabor de frutas e há cervejas de frutas!!
Com sabor de frutas, existem muitas, que apesar do sabor não levam necessariamente alguma fruta na sua composição.
Entretanto, existem as cervejas com sabor de frutas proveniente de frutas.

Um exemplo é a cerveja belga Belle-Veu Kriek, a qual já tive o prazer de degustar.

Na minha opinião, foi um experiência interessante, pois foi um sabor completamente diferente de todos os sabores de cerveja que já experimentei.
O sabor é um pouco ácido, seco, com gosto de vinho misturado com bala de menta. Um sabor bem diferente!!
Já a coloração... é fantástica!! A imagem acima já diz tudo, não há palavras para que consigam definir a cor desta cerveja.
E a espuma? Nota 10, meio rosada, dá um charme especial à cerveja.

Sem contar o charme da garrafa com rolha.



Kriek é um tipo de cereja (cherry), típica dos aredores de Bruxelas (capital da Bélgica).


Imagem: http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/images/cerva-belle-vue.jpg

As cervejas Kriek são cervejas LAMBIC.

As cervejas LAMBIC são caracterizadas pela fermentação expontânea ou natural por uma espécie nativa de bactérias da região de Bruxelas. Desta forma, só existem cervejas LAMBIC na Bélgica.

As LAMBIC são cervejas de alta fermentação, logo são cervejas da família ALE. Nas ALE, a fermentação do mosto acontece fisicamente na parte superior do recipiente.

A própria Belle-Veu tem outra cerveja que utiliza outra fruta, a framboesa (framboise ou raspberry) na sua fabricação: a Belle-Veu Framboise.

E esta, ainda não tive o prazer de degustar.

sábado, 24 de maio de 2008

O pão aproximando pessoas: o pão angolano

Há cerca de um mês, precisei fazer um trabalho acadêmico sobre os pães fabricados em Angola.

E contei com a ajuda de ilustres colegas angolanos (Dred; MapumarC; Nunes; Niuska; Adoro-te, Docemen, PaOOOOdeM3L- e Xmultiply), que, anonimamente, respoderam a alguns questionamentos que fiz em salas de bate-papo (chat) na internet.
Encontrei também um blog excelente, muito bem escrito, sobre culinária e sobre impressões de Angola, da nossa amiga Migas: http://www.migascomgindungo.blogspot.com/.

A Migas, é uma doce e gentil menina portuguesa, que mora em Luanda (capital de Angola) e que respondeu, solidariamente e pacientemente, aos meus aflitos e-mails pedindo informações sobre os pães angolanos.

Migas, registro mais uma vez, agora no neste blog, que criei juntamente com meu ilustre colega Raphael, a minha gratidão à tua gentileza, delicadeza e solidariedade.
Convido a todos e aos meus poucos fãs (brincadeirinha, Migas!) a visitarem o blog da nossa ilustre amiga.
Mais uma vez, muito obrigado, Migas!

Para quem não sabe, Angola é um país africano, com cerca de 1.246.700 km2 (WIKIPÉDIA, 2008. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Angola>. Acessado em: 24/05/2008), quase do tamanho do Estado do Pará (Pará é um dos 26 Estados do Brasil).

Na seqüência, apresento este meu trabalho, excluindo as entrevistas realizadas nas salas de bate-papo.

ANGOLA (13/04/2008)
Trabalho apresentado na disciplina de Panificação Internacional do Curso Técnico de Panificação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Santa Catarina (CEFET-SC) <http://www.cefetsc.edu.br/website/index.jsp>

Este trabalho tem o objetivo de apresentar informações sobre Angola, país africano, e sobre a sua gastronomia, principalmente, sobre aos pães lá produzidos.
1 Localização e fronteiras
Angola está localizada na costa ocidental sul africana (WIKIPÉDIA, 2008a). É banhada pelo Oceano Atlântico, tendo aproximadamente 1.600 km de costa marítima (GASTRONOMIAS, 2008).

Possui aproximadamente 4.800 km de fronteiras (GASTRONOMIAS, 2008) e suas divisas (WIKIPÉDIA, 2008a) são ao:
- Norte: República do Congo e República Democrática do Congo;
- Sul: República da Namíbia;
- Leste: República Democrática do Congo e República da Zâmbia;
- Oeste: Oceano Atlântico.

Figura 1: Mapa político de Angola (WORLDMAPFINDER, 2008)

Angola possui o exclave (território situado fora das divisas principais de um país) de Cabinda, que faz fronteira com ao norte com a República do Congo e ao sul com a República Democrática do Congo (WIKIPÉDIA, 2008a).

2 Divisão política
Angola é subdividida em 18 provícias, conforme figura 2.
1 - Bengo
7 - Kwanza-Sul
13 - Lunda-Sul
2 - Benguela
8 - Cunene
14 - Malange
3 - Bié
9 - Huambo
15 - Moxico
4 - Cabinda
10 - Huíla
16 - Namibe
5 - Kuando-Kubango
11 - Luanda
17 - Uíge
6 - Kwanza-Norte
12 - Lunda-Norte
18 - Zaire


Figura 2: Divisão política de Angola (WIKIPÉDIA, 2008a)

3 A bandeira
A bandeira angolana é dividida horizontalmente em duas faixas: uma negra e a outra vermelha. A faixa negra representa o continente africano; a faixa vermelha representa o sangue derramado nas lutas pela independência. Os símbolos ao centro da bandeira representam os trabalhadores, semelhantes aos utilizados no comunismo (WIKIPÉDIA, 2008f).



Figura 3: Bandeira de Angola (WIKIPÉDIA, 2008f)

4 O clima
O território angolano é tropical, entretanto seu clima não pode ser assim caracterizado pelos seguintes fatores: a corrente fria de Benguela ao longo da parte sul da costa; o relevo do interior do país; e a influência do deserto do Namibe a sudeste (WIKIPÉDIA, 2008a).

Angola possui duas estações climáticas (ANGOLA, 2008):
- Estação das chuvas: estação mais quente, de setembro a maio;
- Estação do cacimbo ou da seca: estação menos quente e mais seca, de maio a setembro.

Quanto à pluviosidade, o litoral apresenta elevados índices, que decrescem do Norte para o Sul, com temperaturas médias anuais acima de 23°C e o interior pode ser dividido em três áreas: norte com grande pluviosidade e temperaturas altas; planalto central com uma estação seca e temperaturas médias da ordem dos 19ºC; sul com amplitudes térmicas bastante acentuadas devido à proximidade do deserto do Kalahari e à influência de massas de ar tropical (WIKIPÉDIA, 2008a).

A diversidade climática proporciona à Angola, um grande potencial turístico baseado no seu rico patrimônio natural, com flora e fauna diversificadas (ANGOLA, 2008a). Segundo Angola (2008), as temperaturas mediais anuais máximas são de 27°C máxima e as mínimas de 17°C.

5 A capital e as principais cidades
A capital de Angola é Luanda. Luanda também é a maior cidade de Angola e também capital da província de Luanda (WIKIPÉDIA, 2008c).
Além de Luanda, as principais cidade de Angola são: Cabinda, Benguela, Lobito, Lubango e Namibe (GASTRONOMIAS, 2008).

6 A população
Angola possui aproximadamente 12,5 milhões de habitantes, sendo 49,3% homens e 50,7% mulheres (ANGOLA, 2008). Diferentes etnias coabitam Angola: os Ovimbundos constituem 37% da população; os quimbundos, 25%; os Bakongos, 13%; mestiços, 2%; brancos, 1%; e outros grupos, 22% (WIKIPÉDIA, 2008a).

7 A língua
A língua oficial de Angola é o português, herança da colonização portuguesa, assim como no Brasil.
Entretanto, em virtude das diferentes etnias que constituem a população de Angola, existem mais de vinte línguas nacionais e numerosos dialetos (WIKIPÉDIA, 2008a). As línguas nacionais mais faladas são o Umbundu ou Umbundo, Kimbundu ou quimbundo, Kikongo ou quicongo, Tchokwe ou chocué (WIKIPÉDIA, 2008a; GASTRONOMIAS, 2008).

8 A cultura
A cultura típica Angola é muito diversificada. Cada etnia que compõem a população do país possui características culturais específicas. O artesanato, as vestimentas, a religião, a dança, entre outros, expressam a riquíssima cultura angolana.


Figura 4: Estátua - Esposa de Chefe (CULTURALUNDA-TCHOKWE, 2008)


A cultura ocidental está também presente na cultura angolana. O cinema angolano outrora premiado, vem recebendo investimentos do governo. O governo, na última década, também está preocupado com a necessidade de estabelecimento de uma política de cultura para fins de preservação do patrimônio cultural (ANGOLA: Novos Tempos, 1992).

Figura 5: Máscara de dança Ngulu (CULTURALUNDA-TCHOKWE, 2008)

9 A religião
51% do Angolanos são católicos, 17% são protestantes; 30% são de religiões africanas (animistas) e 2% de outras religiões (ANGOLA, 2008).

10 A economia
A economia angola é predominantemente agrícola, sendo o café a sua principal cultura. A cana-de-açúcar, o sisal, o milho e a produção de óleo de coco e amendoim também são importantes para a economia. Também destacam-se as culturas de algodão, tabaco e borracha. A produção de batata, arroz, cacau e banana são relativamente importantes (WIKIPÉDIA, 2008a).

Os maiores rebanhos angolanos são os de gados bovino, caprino e suíno (WIKIPÉDIA, 2008a).

A economia angola também basea-se na extração mineral, especialmente, em petróleo e diamantes. O país é auto-suficiente em petróleo desde 1966. O país possui jazidas de cobre, manganês, fostatos, sal, mica, chumbo, estanho, ouro, prata, platina e urânio (WIKIPÉDIA, 2008a).

As indútrias de beneficiamento de oleoginosas, cereais, carnes, algodão e tabaco estão entre as principais do país. A produção de açúcar, cerveja, cimento, madeira e o refino do petróleo também merecem destaques. Também destacam-se as indústrias de pneus, fertilizantes, celulose, vidro e aço (WIKIPÉDIA, 2008a).

O país possui cinco usinas hidroelétricas que suprem a necessidade do país (WIKIPÉDIA, 2008a).

11 A moeda
A moeda angola é o kwanza. Atualmente, um dólar americano vale aproximadamente 75 kwanzas (BANCO NACIONAL DE ANGOLA, 2008) e um real (real: moeda do Brasil) vale aproximadamente 44 kwanzas.

12 A gastronomia
O milho e a mandioca foram trazidos para Angola pelos colonizadores portugueses no século XVI. A inclusão destes alimentos transformaram radicalmente o tipo de alimentação e economia alimentar do país (GASTRONOMIAS, 2008).

Segundo Migas (2008c), “a cozinha angolana prima pela simplicidade” e “tem influências bem presentes da cozinha portuguesa e brasileira”.

A muamda de galinha, o mufete de peixe e o funge são pratos típicos de Angola.

Os pratos angolanos utilizam como ingredientes essenciais o óleo de palma e o gindumbo ou jindungo ou gindungo (espécie de pimenta malagueta típica de Angola) (MIGAS, 2008b). No Brasil, o óleo de palma é conhecido por azeite de dendê.

Figura 6 – Dendê (NYONTIME, 2008)


Figura 7 – Gindumbo (MIGAS, 2008b)

O funge
Segundo Wikipédia (2008b), “o funge ou pirão é um acompanhamento culinário típico de Angola e de Moçambique. É confeccionado com farinha de milho ou de mandioca”.

Migas (2008a) afirma que "o funge é “o acompanhamento mais popular em Angola” e que “é comum acompanhar um peixe grelhado, regado com um molho de tomate, ou seja, acompanha qualquer prato, tal como o arroz e as batatas”. Afirma também que se pode fazer diferentes tipos de funge e que conhece os de fubá (farinha de mandioca) e o de milho, sendo o mais tradicional o com a farinha da mandioca.


Figura 8 – Funge de farinha de mandioca (KOLUKI, 2008)

Batista (2008) fiz que “o funge é a mandioca cozida”, servido como acompanhamento em Angola, “substituindo batatas e arroz”.

Figura 9 – Funge de mandioca (à direita no prato) servindo de acompanhamento à garoupa grelhada e legumes (BATISTA, 2008)

O LIVRODERECEITAS (2008) diz que “o funge é o acompanhamento ideal para vários pratos angolanos, principalmente aqueles que são confeccionados com óleo de palma” e apresenta uma receita: “Ingredientes: 250 gramas de farinha de mandioca; 750 ml de água; sal. Modo de preparar: Diluir a farinha de mandioca (fubá) em cerca de metade da água fria. Temperar a água restante com sal a gosto e levar ao fogo. Quando a água ferver, adicionar a fubá anteriormente diluída e não deixar de mexer, para não encaroçar. Deixar cozinhar até engrossar, mexendo sempre - o fubá vai ficando com uma coloração mais escura. A quantidade de água pode ser alterada, dependendo do gosto. O funge deve ficar consistente.”

O LIVRODERECEITAS (2008) também apresenta a receita das seguintes variantes do funge:

- funge de bombó: “Ingredientes: ½ litro de água; 1 quilo de fubá. Modo de preparar: Colocar uma panela com água no fogo e deixar ferver, depois de estar a ferver despejar o fubá e bater muito bem para não formar grumos. Deixar cozinhar e servir.”

- funge de milho: “Ingredientes: 1 quilo de fubá de milho; ½ litro de água. Modo de preparar: Colocar uma panela com água ao fogo, até a água ficar morna, vá despejando aos poucos o fubá até ficar uma papa de milho, tapar a panela e deixar cozinhar. Depois de cozido, Juntar o resto do fubá e servir.”


Segundo Wikipédia (2008b), o funge “é usado como acompanhamento da moamba de galinha.”

A muamba de galinha
A muamba ou moamba de galinha é um prato tradicional de Angola, constituindo um dos pratos mais populares do país. Os ingredientes utilizados para a sua produção são: galinha, óleo de palma, quiabos, jindungo, cebola, abóbora e alho (WIKIPÉDIA, 2008e).

O óleo de palma utilizado na receita pode ser obtido de dendês frescos (WIKIPÉDIA, 2008e).

Para a produção do prato, corta-se a galinha, temperando-a com sal, jindungo e alho. Em seguida, esta é dourada numa panela com óleo e cebolas (WIKIPÉDIA, 2008e; LIVRODERECEITAS, 2008).

Caso, utilize-se dendês frescos, estes devem ser cozidos e esmagados para facilitar a retirada do caroço. Posteriormente, estes devem ser espremidos com água morna e, finalmente, coados. É nesta água que a galinha deve ser adicionada para a finalização do prato, ou seja, para ser cozida juntamente com a abóbora e o quiabo (GASTRONOMIAS, 2008; LIVRODERECEITAS, 2008).

O acompanhamento da muamba de galinha é o funge (GASTRONOMIAS, 2008; LIVRODERECEITAS, 2008; WIKIPÉDIA, 2008e).


Figura 10 – Moamba de galinha (frente do prato, à esquerda) acompanhada de funge (fundo do prato, à esquerda), feijão com óleo de palma (fundo do prato, à esquerda), banana-pão assada (no centro do prato) e “Kissaca” (frente do prato, à direita) (MIGAS, 2008c)


A Kissaca é um prato produzido a partir das folhas da mandioca (WIKIPÉDIA, 2008d).

O mufete de peixe
O mufete é um prato típico angolano (BATISTA, 2008; MIGAS, 2008d). O prato consiste em: peixe grelhado regado com molho preparado com cebola, vinagre e azeite; feijão cozido com óleo de palma; batata-doce; banana-pão e mandioca (BATISTA, 2008; MIGAS, 2008d).


Figura 11 – Mufete de peixe (BATISTA, 2008)


Figura 12 – Mufete de peixe (MIGAS, 2008d)

13 A panificação
Além de pesquisas realizadas com o auxílio da internet, os dados aqui apresentados são também frutos de:
- entrevistas realizadas em uma sala de bate papo de Angola (http://www.canalangola.net/BatePapo.html), sendo entrevistadas oito pessoas, com os seguintes niknames: Dred; MapumarC; Nunes; Niuska; Adoro-te, Docemen, PaOOOOdeM3L- e Xmultiply;
- trocas de e-mail com a autora do site Migas com Gidungo (http://migascomgindungo.blogspot.com/).

Segundo MapumarC existem muitas padarias em Angola. Ele afirma também que o pão faz parte do cotidiano dos angolanos e que o consumo depende de cada pessoa: há quem consuma pão de manhã, à tarde e à noite, todavia, há quem consuma somente de manhã.

O pão mais consumido, ou seja, vendido nas padarias, é o pão cacete e custa cerca de 10 kwanzas (cerca de 23 centavos de real), segundo MapumarC .

Angonotícias (2008) divulga numa reportagem datada de 7/3/2008, que o preço do pão em Angola subiu de 15 para 25 kwanzas nos últimos dois meses, em virtude do aumento da farinha de trigo no mercado internacional, conseqüência da escassez do produto.

Nunes afirma que o pão geralmente é consumido pela manhã e que os angolanos consomem muito pão. Todavia, há famílias que não conseguem comprar pão devido à baixa renda familiar.
Os pães mais comuns em Angola são: o pão cacete e o pão burro, porém também existe o pão suja-chão. Dred diz, que existem em Angola, os pães cacete, burro, de forma e doce.

“Nao existe dimencao exata, cada um faz segundo a sua ganancia lols......... nem os da padaria tem o mesmo tamanho”, diz Xmultiply.

Segundo Migas, o pão faz parte da alimentação do povo angolano, por ser barato e ser fácil de ser encontrado. Ela diz que “O pão, é vendido na rua, em qualquer lado consegue encontrar uma moça com um recipiente à cabeça, cheio de pães. Como é óbvio, existem os pontos de venda, normalmente abertos 24h por dia, onde essas moças compram os pães para fazer o seu negócio”.

Migas também afirma que Angola, após tantos anos em guerra “tem pouco de cultura original” e que “a alimentação, tirando alguns casos, é um dos assuntos mais difíceis para se encontrar o que é tradicional e o que é importado”.

Migas, a título de curiosidade, conta uma história: “A titulo de curiosidade, conto-lhe uma história. Na altura da guerra civil, existiam já estrageiros a trabalhar cá. Nomeadamente portugueses. Conta-se que quem tinha de ir para as províncias, levava quase sempre uns quantos pacotes de bolachas. Tudo porque nas províncias era comum existir aquilo que chamavam "pão com carne". Esse pão com carne era o pão, com todos os bicharocos que apareciam na bancada, na altura da confecção e acabava por ir tudo junto. No final, o tal famoso pão com carne, acabava por ser consumido, mesmo pelos estrangeiros, quando não tinham mais nada para comer. Triste, mas faz parte das histórias que por aqui ouço. :o) Mesmo hoje, nas províncias, a fartura não é muita. tenho vários amigos a trabalhar fora de Luanda que passaram mal, no início (tinham de tomar banho de caneca, eram assaltados nas pensões...).”

Pão cacete
Segundo Nunes, o pão cacete tem aproximadamente 30 a 40 centímetros de comprimento por 10 a 15 centímetros de diâmetro. Nunes também afirma que este pão tem menos miolo que o pão burro.

Figura 13 - Pão cacete (ANGONOTÍCIAS, 2008)

Niuska afirma que o pão cacete possui aproximadamente 30 centímetros de comprimento por 5 a 6 de largura. Ela também afirma que a massa do pão cacete é mais leve, pois possui leite entre os seus ingredientes.

Pão burro
Segundo MBANGALE (2005) , a palavra pão-burro tem o seguinte sentido “pão de farinha de trigo, cozido em forno de lenha, sem condições higiênicas”.

Docemen diz:“chamamos a pao burro... o pao caseiro...” e que estes não são vendidos nas padarias.

Nunes afirma que o pão-burro é um pão redondo com muito miolo. É vendido em unidades e tem cerca de 50 gramas, porém depende de quem os produz. Afirma também que é o pão mais conhecido.

Segundo Niuska, o pão burro é mais largo, mais pesado do que o pão cacete: “o pão burro é o normal”.

PaOOOOdeM3L- diz: “creio eu que o pao burro e mais usado pra classe baixa, axo que, n tenho muita certza, mais td indica q sim”.

No livro Pão da Paz (BRAGA, 2005) há uma receita de um pão angolano, a qual também aparece no site da editora Abril (ABRIL, 2008). Pelo seu formato e tamanho, este aproxima-se do pão burro comentado nas entrevistas.


Figura 14 – Pão Angolano (ABRIL, 2008)

Para se produzir este pão são necessários os seguintes ingredientes (ABRIL, 2008):
· 250 g de farinha de trigo;
· 2 colheres (sopa) de açúcar;
· 1 colher (sopa) de fermento biológico seco;
· 1 ovo;
· ½ colher (chá) de sal;
· leite frio.
O modo de preparo, segundo a ABRIL (2008) é:
“Bata a clara em neve e reserve. Misture a farinha, o açúcar, o fermento, a gema e o sal. Aos poucos, coloque leite o suficiente até que a massa fique macia. Adicione a clara em neve. Deixe descansar por 5 minutos e depois faça pãezinhos não muito grandes, porque crescem. Leve ao forno preaquecido a 200º C, que deve estar muito quente para assar os pães rápida e intensamente”.

Pão suja-chão
Segundo Niuska, o suja-chão é um “pão cacete que como ficou muito no forno, a medida que se corta quase que a casca se desfaz toda”.

Docemen diz que: “tem se feito um tipo de pao cacete que foi apelidado de Suja-Chao //// porq , dele sai muitas migalhas...”.


Figura 15 - Pão suja-chão (MIGAS, 2008d)

Figura 16 - Pão suja-chão (Foto: MIGAS)

Aparentemente, esta descrição assemelha-se ao pão francês ou pão-de-trigo com casca bem crocante, comercializado em Florianópolis, Santa Catarina.

14 CONCLUSÃO

Angola é um país em desenvolvimento, rico em cultura e belezas naturais, assim como o Brasil.
Possui pratos típicos simples com sabor de azeite de dendê.
As informações obtidas nas entrevistas realizadas demonstram que não há padronização dos pães em Angola. Nem os entrevistados sabem ao certo que pães consomem.
É certo que existe o pão cacete, o pão burro e o pão suja-chão.
Por viver os últimos anos em guerra civil e ser independente de Portugal somente após 1975, é extremamente difícil, na gastronomia, dizer o que é tipicamente angolano.


REFERÊNCIAS

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ANGOLA: Tempos Novos. Editora Edipress, [s.l.], 1992. 144p.

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MBANGALE, M. T. As unidades neológicas do português em África. Babilônia: Revista lusófona de línguas, culturas e tradução. Lisboa, 2005. Disponível em: <http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/561/56100315.pdf>. Acessado em: 11/04/2008.

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